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CALENDÁRIO

Esta página pretende apenas ser um complemento da inicialmente criada para o Coro de Câmara de Beja, uma vez que a extensa lista de compositores tornava pouco prática a utilização daquela página.

quarta-feira, 24 de março de 2010

VILLA-LOBOS, HEITOR

Heitor Villa-Lobos (Rio de Janeiro, 5 de março de 1887 – Rio de Janeiro, 17 de novembro de 1959) foi um maestro e compositor brasileiro.
Destaca-se por ter sido o principal responsável pela descoberta de uma linguagem peculiarmente brasileira em música, sendo considerado o maior expoente da música do Modernismo no Brasil, compondo obras que enaltecem o espírito nacionalista onde incorpora elementos das canções folclóricas, populares e indígenas.

Filho de Noémia Monteiro Villa-Lobos e Raul Villa-Lobos, foi desde cedo incentivado aos estudos, pois sua mãe queria vé-lo médico. No entanto, Raul Villa-Lobos, pai do compositor, funcionário da Biblioteca Nacional e músico amador, deu-lhe instrução musical e adaptou uma viola para que o pequeno Heitor iniciasse seus estudos de violoncelo. Aos 12 anos, órfão de pai, Villa-Lobos passou a tocar violoncelo em teatros, cafés e bailes; paralelamente, interessou-se pela intensa musicalidade dos "chorões", representantes da melhor música popular do Rio de Janeiro, e, neste contexto, desenvolveu-se também no violão. De temperamento inquieto, empreendeu desde cedo escapadas pelo interior do Brasil, primeiras etapas de um processo de absorção de todo o universo musical brasileiro. Em 1913 Villa-Lobos casou-se com a pianista Lucília Guimarães, indo viver no Rio de Janeiro. Em 1915 realiza o primeiro concerto com obras de sua autoria.
 
Em 1922 Villa-Lobos participa da Semana da Arte Moderna, no Teatro Municipal de São Paulo. No ano seguinte embarca para Europa, regressando ao Brasil em 1930, quando realiza turnê por sessenta e seis cidades. Realiza também nesse ano a " Cruzada do Canto Orfeónico" no Rio de Janeiro. O seu casamento com Lucília termina na década de 1930. Depois de operar-se de câncer em 1948, casa-se com Arminda Neves d'Almeida a Mindinha, uma ex-aluna, que depois de sua morte se encarrega da divulgação de uma obra monumental. O impacto internacional dessa obra fez-se sentir especialmente na França e EUA, como se verifica pelo editorial que o The New York Times lhe dedicou no dia seguinte à sua morte. Villa-Lobos nunca teve filhos.
 
Em 1960, o governo do Brasil criou o Museu Villa-Lobos no Rio de Janeiro.
 
Embora tenha sido um dos mais importantes nomes da música a apresentar-se na Semana de Arte Moderna, Villa-Lobos não foi o único compositor a ser interpretado, também foram interpretadas obras de Debussy, por Guiomar Novaes, de Eric Satie, por Ernani Braga, que interpretou também "A Fiandeira", de Villa-Lobos.
O Teatro Municipal de São Paulo foi o primeiro palco "erudito" a receber as obras de Villa-Lobos.
 
As primeiras composições de Villa-Lobos trazem a marca dos estilos europeus da virada do século XIX para o século XX, sendo influenciado principalmente por Wagner, Puccini, pelo alto romantismo francês da escola de Frank e logo depois pelos impressionistas. Teve aulas com Frederico Nascimento e Francisco Braga.
 
Nas Danças características africanas (1914), entretanto, começou a repudiar os moldes europeus e a descobrir uma linguagem própria, que viria a firmar-se nos bailados Amazonas e Uirapuru (1917). O compositor chega à década de 1920 perfeitamente senhor de seus recursos artísticos, revelados em obras como a Prole do Bebê, para piano, ou o Noneto (1923). Violentamente atacado pela crítica especializada da época, viajou para a Europa em 1923 com o apoio do mecenas Carlos Guinle e, em Paris, tomou contato com toda a vanguarda musical da época. Depois de uma segunda permanência na capital francesa (1927-1930), voltou ao Brasil a tempo de engajar-se nas novas realidades produzidas pela Revolução de 1930.
 
Apoiado pelo Estado Novo, Villa-Lobos desenvolveu amplo projecto educacional, em que teve papel de destaque o canto orfeónico, e que resultou na compilação do Guia prático (temas populares harmonizados).
 
À audácia criativa dos anos 1920 (que produziram as Serestas, os Choros, os Estudos para violão e as Cirandas para piano) seguiu-se um período "neobarroco", cujo carro-chefe foi a série de nove Bachianas brasileiras (1930-1945), para diversas formações instrumentais. Na sua obra prolífera, o maestro combinou indiferentemente todos os estilos e todos os géneros, introduzindo sem hesitação materiais musicais tipicamente brasileiros em formas tomadas de empréstimo à música erudita ocidental. Procedimento que o levou a aproximar, numa mesma obra, Johann Sebastian Bach e os instrumentos mais exóticos.
 
É possível encontrar na obra de Villa-Lobos preferências por alguns recursos estilísticos: combinações inusitadas de instrumentos, arcadas bem puxadas nas cordas, uso de percussão popular e imitação do cantos de pássaros. O maestro não defendeu nem se enquadrou em nenhum movimento, e continuou por muito tempo desconhecido do público no Brasil e atacado pelos críticos, dentre os quais Oscar Guanabarino. Também se encontra em sua obra uma forte presença de referências a temas do folclore brasileiro.
 
Não obstante as severas críticas, Villa-Lobos alcançou grande reconhecimento em nível nacional e internacional. Entre os títulos mais importantes que recebeu, está o de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Nova Iorque e o de fundador e primeiro presidente da Academia Brasileira de Música. O maestro foi retratado nos filmes Bachianas Brasileiras: Meu Nome É Villa-Lobos (1979), O Mandarim (1995) e Villa-Lobos - Uma Vida de Paixão (2000), além de aparecer pessoalmente no filme da Disney, Alô, Amigos (1940), ao lado do próprio Walt Disney . Em 1986, Heitor Villa-Lobos teve sua efígie impressa nas notas de quinhentos cruzados.
 
OBRAS
 
Música Orquestral
12 sinfonias (1916–1957)
Uirapuru (1917)
Amazonas (1917)

Choros
n.º 06 (1926)
n.º 08 (1925)
n.º 09 (1929)
n.º 11 (1928)
n.º 12 (1929)

Bachianas brasileiras
n.º 01 (1930) para 12 Violoncellos
n.º 02 (1930) para orquestra
n.º 03 para piano e orquestra (1938)
n.º 04 (1936) para piano ou para orquestra
n.º 05 (1938-1945) para soprano e 8 violoncellos
n.º 06 (1938) para flauta e fagote
n.º 07 (1942) para orquestra
n.º 08 (1944)
n.º 09 (1945) para orquestra e choro
Erosão (1950)
Odisseia de uma Raça (1953)
Gênesis (1954)
Emperor Jones (1956)
Momoprecoce para piano e orquestra (1929)
5 concertos para piano e orquestra (1945, 1948, 1957, 1954, 1954)
Martírio dos Insetos para violino e orquestra (1925)
2 concertos para violoncelo e orquestra (1913, 1955)
Concerto para Violino e Orquestra (1951)
Concerto para violão e pequena orquestra (1951)
Concerto para Harpa e Orquestra (1953)
Concerto para Harmônica e Orquestra (1953)
Ciranda das Sete Notas para fagote e orquestra (1953)
Fantasia para Violoncelo e Orquestra (1945)
Concerto grosso (1958)

Piano
Danças Características Africanas (1914)
Prole do Bebê n.º 01 (1918)
Prole do Bebê n.º 02 (1921)
Lenda do Caboclo (1920)
Rudepoema (1926)
Choros n.º 05 (1926)
Cirandas (1929)
Saudades das Selvas Brasileiras (1927)
Valsa da dor (1930)
Ciclo Brasileiro (1936)
As Três Marias (1939)
Hommage a Chopin (1949)

Música de câmara
17 quartetos de cordas (1915–1957)
3 trios para piano, violino e violoncelo
Sexteto Místico (1917)
Quarteto Simbólico (1921)
Trio para oboé, clarinete e fagote (1921)
Noneto (1923)
Quarteto de sopros (1928)
Quinteto em Forma de Choros (1928)
Bachianas n.º 01 para conjunto de violoncelos (1930)
Bachianas n.º 06 para flauta e fagote (1938)
Trio de cordas (1945)
Duo para violiono e viola (1946)
Assobio a Jato (1950)
Fantasia Concertante (1953)
Duo para oboé e fagote (1957)
Quinteto instrumental (1957)

Violão
Choros n.º 01 (1924)
Estudos (1924–1929)
Prelúdios (1940)

Música vocal
Canções típicas brasileiras (1919)
Serestas (1925)
Bachianas n.º 05 (1938–1945) para soprano e 8 violoncellos
Floresta do Amazonas (1958)
Modinhas e canções (1933–1942)
Poema de Itabira (1942)

Música Coral
Vida Pura, oratório (1919)
Descobrimento do Brasil, 4 suítes (1937)
Missa de São Sebastião (1937)
Bendita Sabedoria (1958)
Magnificat (1958)
Música Dramática
Izaht, ópera (1912/1918)
Magdalena, opereta (1947)
Yerma, ópera (1956)
A Menina das Nuvens, ópera bufa (1958)

Para ouvir
http://www.youtube.com/watch?v=s44uFI8AD0U

VIEUXTEMPS, HENRI

Henri François Joseph Vieuxtemps (17 de fevereiro de 1820 - 6 de junho de 1881) foi um compositor e violinista belga. Ele ocupa um lugar importante na história do violino como um importante expoente da escola de violino franco-belga, durante meados dos anos 1800.

Vieuxtemps nasceu em Verviers, na Bélgica, filho de um tecelão e violinista amador e  fabricante de violinos. Recebeu a sua primeira lição de violino de seu pai e de um professor local e fez a sua primeira apresentação pública aos seis anos de idade, tocando um concerto de Pierre Rode. De imediato estava dando concertos em várias cidades vizinhas, incluindo Liège e Bruxelas, onde se encontrou com o violinista Carlos de Bériot com quem iniciou os estudos. Em 1829, Bériot levou-o a Paris, onde fez um espectáculo de grande sucesso na estreia, novamente com um concerto de Rode, mas teve de voltar no ano seguinte por causa da Revolução de Julho e do casamento de Bériot com a sua amante, Maria Malibran e partida em turnê. De volta a Bruxelas, Vieuxtemps continuou a desenvolver a sua técnica de violino por conta própria, a sua musicalidade aprofundou-se, tocaando com a mezzo-soprano Pauline Viardot, irmã de Malibran. Uma viagem à Alemanha, em 1833 fez amizade com Louis Spohr e com Schumann que comparou o garoto a Paganini. Durante a década seguinte, visitou várias cidades europeias, que impressiona com seu virtuosismo, não só o público, mas também músicos famosos, como o próprio Paganini e Berlioz, com quem se encontrou na sua estreia em Londres em 1834. Mas ele tinha aspirações de se tornar um  bom compositor e, depois de ter aulas já com o respeitado Simon Sechter em Viena, passou o inverno de 1835-1836 estudando composição com Reicha Antoine, em Paris. O seu primeiro concerto para violino, mais tarde publicado como Concerto No. 2, data dessa época.

O Concerto  de Violino No. 1 de Vieuxtemps foi aclamado quando tocou em São Petersburgo na sua segunda visita em 1840 e em Paris no ano seguinte; Berlioz achou "uma magnífica sinfonia para violino e orquestra". Com sede em Paris, Vieuxtemps continuou a compor com grande sucesso e a executar em toda a Europa. Com o pianista Sigismond Thalberg, ele deu concertos nos Estados Unidos. Foi especialmente admirado na Rússia, onde residiu de forma permanente entre 1846 e 1851 como músico da corte de Nicholas I e solista no Teatro Imperial. Fundou a escola de violino do Conservatório de São Petersburgo e orientou a formação de uma "escola russa" de violinistas. Em 1871, retornou ao seu país de origem para aceitar um cargo de professor no Conservatório de Bruxelas, onde o seu aluno mais ilustre foi Eugène Ysaÿe.

Uma doença súbita paralísou o seu braço direito dois anos depois e ele mudou-se para Paris novamente, a sua classe de violino passou a ser orientada por Henryk Wieniawski. Embora ele parecesse estar gradualmente a recuperar-se da sua doença, um outro acidente de saúde em 1879 terminou a sua carreira como violinista. Passou os seus últimos anos num sanatório em Mustapha Supérieur, Argélia, onde a sua filha e o seu marido se tinham estabelecido, e continuou a compor, embora frustrado pela sua incapacidade em reproduzir ou, por estar longe dos centros musicais da Europa, ou até mesmo ouvir a sua música tocada por outros.

A maior parte das composições Vieuxtemps eram para o seu próprio instrumento, incluindo sete concertos e uma variedade de curtas peças de salão, embora no final da sua vida, quando teve que desistir do violino, muitas vezes ele virou-se para outros instrumentos, escrevendo dois concertos para violoncelo , uma sonata para viola e três quartetos de cordas, entre outras coisas. É por causa dos seus sete concertos para violino, porém, que Vieuxtemps é geralmente conhecido do público e músicos de todo o mundo. Através de seus próprios concertos e da sua defesa dos concertos de Beethoven (ele também tocou sonatas de Beethoven e quartetos de cordas) e Mendelssohn, acrescentou uma dimensão mais clássica ao repertório do violino, que tendia caminhar para ser tecnicamente brilhante, mas muitas vezes com variações e fantasias superficiais nos temas da ópera popular.

OBRAS

Violin and orchestra
Violin Concerto No. 1 in E Major, Op.10 (1840)
Violin Concerto No. 2 in F♯ Minor “Sauret”, Op.19 (1836)
Violin Concerto No. 3 in A Major, Op.25 (1844)
Violin Concerto No. 4 in D Minor, Op. 31 (c.1850)
Violin Concerto No. 5 in A Minor “Le Grétry”, Op.37 (1861)
Violin Concerto No. 6 in G Major, Op.47 (1865) (Op.1 posthumous)
Violin Concerto No. 7 in A Minor, Op.49 “À Jenő Hubay” (1870) (Op.3 posthumous)
Ballade et polonaise, Op.38 (c.1858)
Fantasia appassionata, Op.35 (c.1860)
Fantaisie-caprice, Op.11 (1838)
Hommage à Paganini, Op.9 (1845?)
Norma, Fantasia on the G String, Op.18 (c.1845)

Other orchestral
Cello Concerto No. 1 in A Minor, Op.46 (1877)
Cello Concerto No. 2 in B Minor, Op.50 (1879) (Op.4 posthumous)
Duo brilliant in A Major for Violin, Cello (or Viola) and Orchestra or Piano, Op.39 (1864?)
Overture (with the Belgian National Anthem) for Chorus and Orchestra, Op.41 (1863)

Violin and piano
Air varié in D Major (on a Theme from Bellini’s Il Pirata), Op.6 (c.1845)
Allegro de concert, Op.59 (Op.13 posthumous)
Bouquet américain – 6 Variations sur mélodies populaires, Op.33 (c.1855)
Chansons russes (1854?)
6 Divertissements d’amateurs (on Russian Themes), Op.24 (c.1850)
Duo concertante No. 1 on Themes from Auber’s Le duc d’Olonne, Op.13 (c.1845)
Duo concertante No. 2 on Themes from Weber’s Oberon, Op.14 (c.1845)
Duo concertante No. 3 on Themes from Mozart’s Don Giovanni, Op.20 (c.1845)
Duo concertante No. 4 on Themes from Meyerbeer’s L’étoile du nord, Op.23 (c.1845)
Duo concertante No. 5 on Themes from Meyerbeer’s Le prophète, Op.26 (c.1850)
Duos concertantes Nos. 6-12
Élégie in F Minor, Op.30 (?1854)
Fantaisie slave, Op.27 (c.1850)
Fantaisies brilliantes, Op.54 (Op.8 posthumous)
Fantasia on Themes from Gounod’s Faust (1870)
3 Fantasias on Themes from Verdi’s I lombardi, Ernani and Luisa Miller, Op. 29 (1854?)
3 Feuilles d’album, Op.40 (1864)
Greeting to America, Op.56
Impressions et réminiscences de Pologne, Op. 57 (Op.11 posthumous)
Introduction et Rondo in E Major, Op.28 (c.1850)
Les arpéges (Caprice) in D Major for Violin and Piano or Orchestra (with Cello), Op.15 (c.1845)
Ma marche funèbre, Op. 58 (Op.12 posthumous)
3 Märchen, Op.34 (1859)
6 Morceaux de salon, Op.22 (1847?)
3 Morceaux de salon, Op.32 (c.1850)
Old England, Caprice on 16th- and 17th-Century English Airs, Op.42 (1866)
3 Romances sans paroles, Op.7 (1841)
4 Romances sans paroles, Op.8 (c.1845)
Salut à América for Violin and Piano, Op.56 (Op.10 posthumous)
Souvenir d’Amérique – Variations burlesques sur Yankee Doodle, Op.17 (1844)
Souvenir de Russie (Fantasie), Op.21 (c.1845)
Suite in B Minor, Op.43 (1871)
Violin Sonata in D Major, Op.12 (c.1845)
Voies de cœurs, 6 pièces, Op.53 (Op.7 posthumous)
Voix intimes, 6 pensées melodiques, Op. 45 (1876)

Violin solo
Divertissement
36 Études, Op.48 (Op.2 posthumous)
6 Études de concert, Op.16 (c.1845)
Cadenzas to Beethoven’s Violin Concerto
6 Morceaux suivis d’un capriccio, Op.61 (Op.15 posthumous)

Viola
Capriccio in C Minor “Hommage à Paganini” for Viola Solo, Op.55 (Op.9 posthumous)
Élégie in F Minor for Viola (or Cello) and Piano, Op.30 (?1854)
Étude in C Minor for Viola and Piano
Sonate inachevée in B♭ Major (Allegro and Scherzo) for Viola and Piano, Op.60 (Op.14 posthumous)
Viola Sonata in B♭ Major, Op.36 (1863)

Chamber
Félicien-César David’s Le Desert: La Nuit (1844)
Mozart Clarinet Quintet
Piano Trio on Themes from Meyerbeer’s L’Africaine
String Quartet No. 1 in E Minor, Op.44 (1871)
String Quartet No. 2 in C Major, Op. 51 (Op.5 posthumous)
String Quartet No. 3 in B♭ Major, Op.52 (Op.6 posthumous

Para ouvir

terça-feira, 23 de março de 2010

VIANA DA MOTA, JOSÉ

José Viana da Mota (São Tomé, São Tomé e Príncipe, 22 de Abril de 1868 — Lisboa, 1 de Junho de 1948) foi um pianista e compositor português.
Estudou no Conservatório de Lisboa, sendo os estudos patrocinados pelo rei D. Fernando e a Condessa de Edla. Em 1882 parte para Berlim onde, custeado pelos reis mecenas, continua durante três anos os estudos de piano e composição.
Em 1885 parte para Weimar onde é aluno de Franz Liszt, que mais tarde lhe oferece uma fotografia com a dedicatória: "A José Viana da Mota, saudando os seus futuros sucessos. Fr. Liszt".
Dá concertos nos Estados Unidos, Paris, Inglaterra, Espanha, Itália, Dinamarca, Lisboa e Porto, Brasil, Argentina numa série de recitais que são outros tantos triunfos.
Durante a Primeira Guerra Mundial foi director do Conservatório de Genebra. Em 1917 regressa a Portugal onde foi director do Conservatório Nacional de Lisboa, de 1918 a 1938.
Entre as sua composições mais conhecidas está a sinfonia "À Pátria", e as obras "Evocação dos Lusíadas", "Cenas da Montanha" entre outras.
Faleceu em 1948, em Lisboa, tendo vivido os últimos anos da sua vida na residência de sua filha Inês Viana da Mota e do seu genro, o psiquiatra Barahona Fernandes.

José Viana da Mota desde cedo revelou a sua grande proficiência para a música e particularmente para o piano.
Com 14 anos de idade concluiu os estudos no Conservatório Nacional. No mesmo ano (1882), partiu para Berlim, com os seus estudos financiados pelo rei D. Fernando e pela Condessa de Edla que nele apostaram depois de o ouvir tocar. Em Berlim estudou com Xaver Scharwenka (piano) e com Philipp Scharwenka (composição). A sua primeira apresentação, no mesmo local, data de 1885 e foi um inegável êxito. Na mesma cidade, teve também aulas com Carl Schaeffer, membro da Sociedade Wagneriana. Em 1884 já Viana da Mota descobrira o encanto de Wagner, em Bayreuth.Tornou-se então membro da mesma Sociedade, e foi fiel a Wagner até ao fim da sua vida.
Em 1885, devido ao desejo de trabalhar com Liszt, parte para Weimar e foi um dos seus últimos alunos.
Dois anos depois, em Frankfurt, trabalhou com Hans Von Bullow, que o considerou um dos mais brilhantes discípulos de Liszt.
Fixou residência em Berlim e apresentou-se em várias cidades alemãs. Rússia, Paris, Estados Unidos, Inglaterra, Espanha, Itália, Dinamarca, Brasil, Argentina, foram cidades/países que presenciaram as suas actuações. Em 1893, no mês de Abril, fez a sua primeira grande digressão em Portugal.
O público e a crítica sempre o aplaudiram e distinguiram a sua técnica, clareza, expressão, o rigor das suas interpretações dos mestres clássicos.
Foi considerado um brilhante intérprete de Liszt, Bach e Beethoven. A ele devemos a primeira apresentação da audição integral das 32 Sonatas para piano de Beethoven.
Anos antes de regressar definitivamente a Portugal, ao eclodir a 1ª Guerra Mundial, Viana da Mota fixa-se em Genebra. Nesta cidade foi professor de virtuosismo na Escola Superior de Música de Genebra.
Já em Portugal, manteve a sua actividade como pianista até 1945 a par com a sua acção pedagógica.
Fundou a Sociedade de Concertos, da qual foi o primeiro director artístico, em 1917.
Foi director do Conservatório Nacional de Lisboa entre 1918 e 1938.
Director musical da Orquestra Sinfónica de Lisboa entre 1918 e 1920.

Em 1919 reforma o ensino da música com a colaboração de Luís de Freitas Branco, modernizando os programas e os métodos pedagógicos.
Publicou assiduamente artigos sobre a técnica e interpretação pianísticas, assim como estudos acerca da música de Wagner e Liszt.
Exerceu a crítica musical e publicou artigos para revistas especializadas alemãs e portuguesas.
Foi professor, entre outros, de pianistas como: José Carlos Sequeira Costa, Luiz Costa, Maria Helena Sá e Costa, Maria Cristina Lino Pimentel, Marie Antoinette Aussenac, Nella Maissa e Maria da Graça Amado da Cunha, assim como do compositor Fernando Lopes-Graça.
Escreveu ainda:
"Nachtrag zu Studiem bei Hans von Büllow von Theodor Peiffer" (Berlim, 1896; do qual existe tradução inglesa); "Pensamentos extraídos das obras de Luís de Camões" (Porto, Renascença Portuguesa, 1919);
"Vida de Liszt" (Porto, Edições Lopes da Silva, 1945);
"Música e músicos alemães", 2 vols. Coimbra: Coimbra Editora, 1947).

Viana da Mota abandonou quase por completo a composição a partir de 1908 talvez por discordar das novas tendências modernistas que vingavam por toda a Europa.
A sinfonia "À Pátria" é por muitos considerada a obra prima do compositor. Foi a primeira a merecer as honras de impressão no nosso país. É inspirada em versos de Camões e segue o modelo formal clássico das sinfonias de Beethoven: quatro andamentos. No terceiro o compositor utiliza duas canções populares portuguesas.

Dada a versatilidade e a profundidade da sua cultura, Viana da Mota personificou em alto grau o ideal de "músico completo" que Liszt preconizou na sua directriz pedagógica. Assim se explicará também a razão dos diversos campos da sua actividade: pianista, pedagogo, compositor, musicógrafo, conferencista e regente de orquestra; tendo sido predestinado, no entanto, para o de virtuoso de piano, ele destacou-se no quadro dos renomeados pianistas da sua época (foi amigo e colaborador de Ferruccio Busoni, entre muitos outros). Em 1885 frequentou em Weimar o último curso de verão dado por Liszt, do qual recebeu por escrito os melhores votos para a sua grande carreira, e foi o aluno dilecto de Hans von Bülow nos cursos de Frankfurt a. M. em 1887.

José Viana da Mota tocou por toda a Europa, Américas do Norte e do Sul, perante reis e imperadores, recebeu altas condecorações e na Alemanha foi-lhe concedido o título de "Hofpianist" (pianista da Corte) por Carlos Eduardo de Saxe-Coburgo-Gota.

Conquanto Viana da Mota tenha ficado sempre bem português e tenha marcado por todo o mundo a presença de Portugal, já através de si próprio, já através das suas composições e de outros compositores portugueses, como por exemplo de João Domingos Bomtempo, ele foi um afincado divulgador da cultura alemã e incorpora o fenómeno mais flagrante de simbiose das duas culturas ou seja: ele representa a ponte por excelência da cultura luso-alemã (especialmente na sua considerável obra de "Lied', em que musicou diversos poetas alemães!). Houve quem lhe chamasse "o português mais patriota e o alemão missionário".

Obrigado pela Primeira Guerra Mundial a abandonar a sua residência de Berlim em 1914, aceitou finalmente o convite para a regência da classe de virtuosismo de piano do Conservatório de Genebra em 1915. Em 1917 regressou definitivamente a Lisboa, fundou a Sociedade de Concertos e realizou o seu objectivo de proceder à reforma do Conservatório Nacional de Lisboa, assumindo o cargo de director desta instituição de 1919 a 1938. A sua orientação pedagógica operou uma completa viragem no nível técnico/artístico e na intelectualidade do meio musical lisbonense. Fez inúmeras primeiras audições de obras há muito consagradas, como a integral das 32 sonatas de Beethoven no centenário da sua morte em 1927 (cuja receita reverteu a favor dos alunos pobres do Conservatório, tendo instituído o prémio Beethoven) e, também, de compositores seus contemporâneos.

Como compositor, cuja actividade se confinou ao período da sua vida com residência em Berlim, José Viana da Mota foi importante para a História da Música em Portugal no âmbito da "música de concerto", por lhe caber o mérito da primeira procura e criação consciente de "música culta" de carácter nacional. São disso testemunho a sua obra mais relevante a Sinfonia "À Pátria" (que apresenta também a inovação entre nós do conceito lisztiano de música programática e em que, ao que parece, um compositor português usa pela primeira vez numa sinfonia, temas genuínos do folclore do nosso país), as suas composições pianísticas, as suas canções para canto e piano.

Sem dúvida, das personagens mais versáteis do mundo da música portuguesa na primeira metade do século XX. Exemplar na sua capacidade de trabalho e perseverança, no domínio absoluto da técnica pianística, no equilíbrio da forma e do conteúdo. Intérprete excepcional, notável pedagogo, admirável compositor…mas terá recebido sempre o valor que merece?

Como tantos outros artistas portugueses dos maiores, Viana da Mota foi uma vítima da incompreensão, da maldade e da pequenez de um meio com o qual a sua invulgar estatura não podia ter medida comum. Negaram-lhe o talento, disputaram-lhe a glória, moveram-lhe campanhas ultrajantes, dificultaram-lhe a vida, regatearam misérias nos seus modestos cachets de concertista, esforçaram-se por fazer cair sobre o seu nome e a sua obra a pedra vil do esquecimento, deixaram-no morrer num isolamento e numa solidão terríveis, e mesmo depois de morto se procurou evitar que a sua vera fisionomia de artista e de intelectual pudesse ser revelada em toda a sua luz.

Para ouvir
http://www.youtube.com/watch?v=fYANlubAxSs&feature=PlayList&p=824850922BF34200&playnext=1&playnext_from=PL&index=3

quarta-feira, 17 de março de 2010

VERDI, GIUSEPPE

Giuseppe Fortunino Francesco Verdi (Roncole, 10 de outubro de 1813 — Milão, 27 de janeiro de 1901) foi um compositor de óperas do período romântico italiano, sendo na época considerado o maior compositor nacionalista da Itália, assim como Richard Wagner era na Alemanha.
Foi um dos compositores mais influentes do século XIX. As suas obras são executadas com frequência em casas de ópera em todo o mundo e, transcendendo os limites do género, alguns dos seus temas já estão há muito enraizados na cultura popular - como "La donna è mobile" de Rigoletto, "Va, pensiero" (O Coro dos Escravos Hebreus) de Nabucco , "Libiamo ne' lieti calici" (A Canção da Bebida) de La Traviata e o "Grande Março" de Aida. Embora a sua obra tenha sido algumas vezes criticada por usar, de modo geral, a expressão musical diatônica em vez de uma cromática e com uma tendência de melodrama, as obras-primas de Verdi dominam o repertório padrão um século e meio depois de suas composições.

Verdi era filho de Carlo Verdi, dono de uma taberna, e de Luisa Utini, tendo nascido na pequena localidade de Roncole, um lugarejo perto de Busseto, então no departamento de Taro, que fazia parte do Primeiro Império Francês depois da anexação do Ducado de Parma e Piacenza.

O registo de baptismo, em 11 de outubro, lista-o como tendo "nascido ontem", mas como os dias eram muitas vezes considerados como começando ao pôr do sol, isso poderia significar que ele nasceu em 9 ou 10 de outubro. No dia seguinte, ele foi batizado na igreja católica, registrando-se seu nome em latim como Joseph Fortuninus Franciscus. No dia seguinte (terça-feira), o pai de Verdi levou seu recém-nascido por quase cinco quilómetros (3 milhas) até Busseto, onde o bebé foi registado como Joseph Fortunin Francois, o escrevente registou em francês. "Assim aconteceu que para o mundo civil e temporal Verdi nasceu sendo um francês".

Quando ainda era uma criança, os pais de Verdi mudaram-se para Busseto, onde a educação do futuro compositor foi muito facilitada pelas visitas à grande biblioteca pertencente à escola jesuíta local. Também em Busseto, Verdi deu suas primeiras lições de composição.

Era financiado pelo comerciante Antonio Barezzi. Quando completou 18 anos foi ao Conservatório de Milão, mas foi reprovado por ser maior de catorze anos (os estudantes eram aceites somente até esta idade), e então demonstrar talento musical. Depois disso, foi atrás de um professor particular e prosseguiu os seus estudos por três anos.

Voltando a Busseto, passou a actuar como mestre de capela e maestro da banda, mas isso fez com que ele conseguisse muitos inimigos. Posteriormente, Verdi transferiu-se definitivamente para Milão, com sua esposa Margherita Barezzi, filha de Antonio Barezzi.

Em novembro de 1839, Verdi escrevia a ópera Oberto, Conte di San Bonifacio, que foi estreada no Teatro alla Scala. Pouco depois, em 1840, morriam os seus dois filhos e a sua esposa, de apenas 27 anos e a sua segunda ópera, Un Giorno di Regno, fracassou. Verdi prometeu que nunca mais comporia, após o incidente.

Bartolomeo Morelli, director do Teatro alla Scala, não aceitou a promessa de Verdi e solicitou-lhe que estudasse uma outra peça de teatro, Nabucco. Pouco tempo depois, Verdi entregava uma ópera escrita em cima do libretto. Nabucco é uma ópera que falava a respeito da dominação dos hebreus por Nabucodonosor e isso se identificava com o sentimento do povo italiano, sob a repressão dos austríacos e franceses. O famoso coro Va pensiero su ali dorate (Vai, pensamento, em asas douradas) foi considerado um símbolo nacional pelos italianos e quase se tornou o Hino Nacional italiano.

Em algum momento em meados da década de 1840, após a morte de Margherita Barezzi, Verdi iniciou um romance com Giuseppina Strepponi, uma soprano no crepúsculo de sua carreira. A sua coabitação antes do casamento foi vista como escândalo em alguns dos lugares em que viveram, mas Verdi e Giuseppina casaram-se em 29 de agosto de 1859 em Collonges-sous-Salève, perto de Genebra. Enquanto vivia em Busseto com Strepponi, Verdi comprou uma propriedade a duas milhas da cidade em 1848. Inicialmente, os seus pais viviam ali, mas, após a morte de sua mãe em 1851, ele fez do Villa Verdi em Sant'Agata em Villanova sull'Arda a sua casa até morrer.

Quando os anos de afastamento social estavam chegando ao fim, Verdi criou uma de suas maiores obras-primas, Rigoletto, que estreou em Veneza em 1851. Baseado em uma peça de Victor Hugo (Le roi s'amuse), o libreto teve que passar por revisões substanciais a fim de satisfazer a censura da época, e o compositor esteve no limite de desistir várias vezes. A ópera rapidamente se tornou um grande sucesso.
Verdi continuou a escrever óperas e tornando-se mundialmente conhecido. Surgiam as óperas Ernani, Don Carlo, Un ballo in maschera, Il trovatore. Houve uma das óperas (La Traviata) que fracassou, apesar de hoje ser uma das óperas mais encenadas no mundo todo. Algum tempo depois, Verdi casava-se com Giuseppina Strepponi. Durante esse período, Verdi era aclamado como um patriota, sendo eleito deputado em 1861, ano da unificação e, posteriormente, senador. E continuou escrevendo óperas: em 1871 estreou Aida, em comemoração à abertura do Canal de Suez. Após, Verdi escreveu ainda as óperas Otello e Falstaff, baseadas em Shakespeare além de algumas peças religiosas.

Em 19 de janeiro de 1901 sofre uma trombose e acaba falecendo no dia 27 do mesmo mês, em Milão, causando imensa comoção em toda a Itália. Atendendo aos seus desejos, o seu túmulo foi colocado na Casa di Reposo Giuseppe Verdi mantida até hoje com recursos de parte dos direitos autorais do compositor.

OBRAS
Lista de óperas

Oberto (ópera), 1839
Un Giorno di Regno, 1840
Nabucco, 1842
I Lombardi nella Prima Crociata, 1843
Ernani, 1844
I Due Foscari, 1844
Alzira, 1845
Giovanna d'Arco, 1845
Attila, 1846
Macbeth, 1847
I Masnadieri, 1847
Jerusalem, 1847
Il Corsaro, 1848
La Battaglia di Legnano, 1849
Luisa Miller, 1849
Stiffelio, 1850
Rigoletto, 1851
Il Trovatore, 1853
La Traviata, 1853
I Vespri Siciliani, 1855
Aroldo, 1857
Simon Boccanegra, 1857
Un Ballo in Maschera, 1859
La Forza del Destino, 1862
Don Carlo, 1867
Aida, 1871
Otello, 1887
Falstaff, 1893
 
Outras obras

Seis romanças, 1838
Requiem, 1874 - (em memória do escritor Alessandro Manzoni).
Quatro peças sacras, 1898
 
Para ouvir

terça-feira, 16 de março de 2010

VAUGHAN WILLIAMS, RALPH

Ralph Vaughan Williams (12 de outubro de 1872 - 26 de agosto de 1958) foi um compositor Inglês de sinfonias, música de câmara, ópera, música coral e trilhas sonoras de filmes. Ele também era um coleccionador de música folk inglesa e canções, o que também influenciou a sua abordagem editorial ao Hinário Inglês, que começou em 1904, muitos arranjos da canção folclórica foram sendo definidos como melodias de hinos, além de várias composições originais.


Ralph Vaughan Williams nasceu no dia 12 de outubro de 1872 em Down Ampney, Gloucestershire, onde seu pai, o reverendo Arthur Vaughan Williams, foi vigário. Após a morte de seu pai, em 1875, foi levado por sua mãe, Margaret Susan Wedgwood (1843-1937), a bisneta do oleiro Josiah Wedgwood, para viver com a sua família em Leith Hill Place, a casa da família Wedgwood nas North Downs . Também foi relacionado com Darwin, Charles Darwin sendo um tio-avô. Embora nascido na classe média privilegiada intelectual superior, nunca Vaughan Williams tomou isso como garantia e trabalhou toda a sua vida pelos ideais democráticos e igualitários em que acreditava.


Como aluno tinha estudado piano, "eu nunca poderia tocar, e o violino foi minha salvação musical." Depois de Charterhouse School frequentou o Royal College of Music (RCM) sob orientação de Charles Villiers Stanford. Estudou História e Música no Trinity College, em Cambridge, onde entre seus amigos e contemporâneos se incluíam os filósofos G.E. Moore e Bertrand Russell. Então retornou ao RCM e estudou composição com Hubert Parry, de quem se tornou amigo. Um de seus colegas estudantes no RCM foi Leopold Stokowski e durante o ano de 1896, ambos estudaram órgão com Sir Walter Parratt. Stokowski mais tarde passou a realizar seis sinfonias de Vaughan Williams para o público americano, fazendo a primeira gravação da Sexta Sinfonia, em 1949, com a Filarmónica de Nova York, e fazendo a estreia  nos E.U. da Nona Sinfonia, no Carnegie Hall em 1958.
Outra amizade feita na RCM, crucial para o desenvolvimento de Vaughan Williams como compositor, foi com o colega estudante  Gustav Holst que encontrou pela primeira vez em 1895. A partir deste momento,  passaram  vários dias no campo da leitura e fazendo críticas construtivas sobre as respectivas obras em curso.
A composição de Vaughan Williams desenvolveu-se lentamente e não foi antes dos 30 anos que a canção "Linden Lea" se tornou a sua primeira publicação. Misturou composição com  realização, palestras e edição de música, nomeadamente a de Henry Purcell e do Hinário Inglês. Tinha outras lições com Max Bruch em Berlim em 1897 e, mais tarde, deu um grande passo em frente no seu estilo orquestral quando estudou, em Paris, com Maurice Ravel.


Em 1904, Vaughan Williams descobriu canções folclóricas inglesas, que foram rapidamente extintas devido à tradição oral através da qual elas existiram sendo prejudicadas pelo aumento da alfabetização e de partituras em áreas rurais. Viajou para o interior, transcrevendo e preservando muitas mesmo. Mais tarde, incorporou algumas canções e melodias nas suas próprias músicas, sendo fascinado pela beleza da música e da sua história anónima na vida profissional das pessoas comuns. Os seus esforços contribuiram muito para aumentar a valorização da melodia e da música popular tradicional inglesas. Mais tarde, actuou como presidente do English Folk Dance and Society Song (EFDSS), que, em reconhecimento do seu trabalho inicial e importância neste domínio.

Em 1905, Vaughan Williams realizou o primeiro concerto da recém-fundada Leith Hill Music Festival em Dorking que se realizou até 1953, quando passou o bastão para seu sucessor, William Cole.
Em 1909, ele compôs a música incidental para o Cambridge Greek Play. No ano seguinte, ele teve seu primeiro grande sucesso público conduzindo as estreias da Fantasia sobre uma tema de Thomas Tallis (At The Three Choirs Festival na catedral de Gloucester) e  a sua sinfonia coral A Sea Symphony (Sinfonia N º 1). Disfrutou de um sucesso ainda maior com a Sinfonia de Londres (Symphony No. 2), em 1914, conduzida por Geoffrey Toye.

Vaughan Williams tinha 41 anos, quando eclodiu a Primeira Guerra Mundial. Embora ele pudesse ter evitado o serviço militar totalmente, ou tentado uma comissão,  escolheu alistar-se como soldado no Royal Army Medical Corps. Depois de um tempo fatigante como portador de maca em França e em Salônica, foi contratado como segundo-tenente na Royal Garrison Artillery em 24 de dezembro de 1917. Em uma ocasião, embora doente demais para ficar, ele continuou a dirigir sua bateria enquanto estava deitado no chão. A exposição prolongada ao tiroteio começou um processo de perda de audição que eventualmente causou uma surdez severa na velhice. Em 1918, foi nomeado Director de Música do Exército e isso ajudou a ajustar a volta à vida musical.

Após a guerra, adotou por um tempo um estilo um tanto místico na sua Sinfonia Pastoral (Sinfonnia N º 3), que se baseia nas suas experiências como um voluntário de ambulância na guerra, e Flos Campi, uma obra para viola solo, orquestra de pequeno porte, e coro sem palavras. A partir de 1924 uma nova fase  na sua música começou, caracterizada pelo cruzamento animado de ritmos e harmonias. Principais obras deste período são Toccata Marziale, o balé Old  King Cole, o Concerto para Pianoo, a oratória Sancta Civitas (a sua preferida da s suas obras corais) e do balé Job: A  Masque for Dancing (Uma Máscara para dançar), que não é elaborada a partir da Bíblia, mas de Ilustrações do Livro de Job de William Blake. Também compôs um Te Deum em Sol para a entronização de Cosmo Gordon Lang como Arcebispo de Cantuária. Este período de sua música culminou com a Sinfonia n º 4 em fá menor, primeiramente tocada pela Orquestra Sinfónica da BBC em 1935. Dois anos depois, Vaughan Williams fez uma gravação histórica do trabalho com a mesma orquestra para HMV (His Master's Voice), sua única gravação comercial. Durante este período, leccionou nos Estados Unidos e Inglaterra, e conduziu o Coro Bach. Foi nomeado para a Order of Merit no King's Birthday Honours de 1935, tendo recusado o título de cavaleiro.

Vaughan Williams foi um amigo íntimo de longa data da famosa pianista britânica Harriet Cohen.  Cohen estreou  "Hymn Tune Prelude" de Vaughan Williams , em 1930, que ele lhe dedicou. Mais tarde, ela apresentou a peça em toda a Europa nos seus concerto. Em 1933 estreou o seu Concerto para Piano em C maior, um trabalho que foi mais uma vez dedicado a ela. Foi dado a Cohen o direito exclusivo de reproduzir a peça para um período de tempo. Cohen tocou e promoveu um trabalho de Vaughan Williams em toda a Europa, a URSS e os Estados Unidos.
A sua música entrou numa fase lírica madura, como no Five Tudor Portraits, o Serenade to Music (uma configuração de uma cena de cinco actos de O Mercador de Veneza, para orquestra e dezasseis solistas vocais composta como uma homenagem ao maestro Sir Henry Wood) e a Sinfonia N º 5 em D, que conduziu no Proms em 1943. Como estava agora com 70 anos, muitas pessoas consideraram-no uma canção de cisne, mas renovou-se novamente e entrou mais num período exploratório  da harmonia  e da instrumentação. O seu grande sucesso a Sinfonia n º 6 de 1946 teve uma centena de apresentações no primeiro ano. Surpreendeu tanto admiradores como críticos, muitos dos quais sugeriram que esta sinfonia (especialmente o seu último movimento), foi uma visão sombria do rescaldo de uma guerra atómica: normalmente, Vaughan Williams recusou-se a reconhecer qualquer programa por trás desse trabalho.
Antes de sua morte, em 1958, ele completou três sinfonias mais. A sua sétima, Sinfonia Antártica, exibe o seu interesse renovado na instrumentação e sonoridade. A Oitava Sinfonia, estreada em 1956, foi seguida pelo muito pesada Symphony No. 9 em Mi menor de 1956-57. Esta última sinfonia teve inicialmente uma recepção morna depois de sua primeira performance em Maio de 1958, apenas três meses antes da morte do compositor. Mas este trabalho escuro e enigmático é agora considerado por muitos uma conclusão adequada para a sua seqüência de obras sinfónicas.

Ele também completou uma série de obras instrumentais e corais, incluindo um Concerto Tuba, An Oxford Elegy em textos de Matthew Arnold, e a cantata de Natal Hodie. Ele também escreveu um arranjo do The Old One Hundredth Psalm Tune  para o Serviço de Coroação da Rainha Elizabeth II. Na sua morte deixou inacabado um Concerto para violoncelo, uma ópera Thomas The Rhymer e música para uma peça de Natal, The First Nowell, que foi concluída pelo seu amanuense Roy Douglas (nascido em 1907).
Apesar da sua significativa participação na música de igreja, a religião foi tema de muitas de suas obras, ele foi descrito pela sua segunda esposa, como "um ateu ... que depois derivou para um agnosticista." 
Também trabalhou como professor de Birkbeck College.

Vaughan Williams é uma figura central na música britânica por causa de sua longa carreira como professor, conferencista e amigo de muitos jovens compositores e maestros.

O seu primeiro casamento foi em 1896 com Adeline Fernandes (filha do historiador Herbert William Fisher). Ela morreu em 1951 depois de muitos anos sofrer de artrite paralisante.

Em 1953 casou-se com a poetisa Ursula Wood (1911-2007). Neste momento mudaram -se de Dorking, Surrey  para Londres e ocupram uma casa no nº 10, Hanover Terrace, Regents Park. Ela encontrou Vaughan Williams em 1938 e começaram um caso enquanto ainda estavam casados com seus respectivos cônjuges. Após a morte do primeiro marido, Wood continuou seu relacionamento com Vaughan Williams, aparentemente com a aprovação tácita do Adeline. Ursula tornou-se conselheira literária de Ralph e sua assistente pessoal.

Foi enterrado na Abadia de Westminster.

Para ouvir
http://www.youtube.com/watch?v=ZKz6XJlI_jk&feature=related

domingo, 28 de fevereiro de 2010

VARÈSE, EDGAR

Edgar Victor Achille Charles Varèse (Paris, 22 de dezembro de 1883 — Nova Iorque, em 6 de novembro de 1965) foi um compositor francês naturalizado estadunidense.

Estudou com Vincent d'Indy na Schola Cantorum, de 1903 a 1905, e com Charles-Marie Widor no Conservatório de Paris, de 1905 a 1907; depois, deslocou-se a Berlim, onde encontrou Richard Strauss e Ferruccio Busoni. Em 1913, regressou a Paris, mas em 1915, decepcionado pelos novos meios oferecidos aos compositores, decidiu emigrar para os Estados Unidos, e estabeleceu-se em Nova Iorque.

Passou os primeiros anos nos Estados Unidos a encontrar-se com os principais autores da música norte-americana, promovendo a sua visão de novos instrumentos de música eletrônica, dirigindo orquestras, e criando a New Symphony Orchestra. Foi cerca desse período que Varèse começou a trabalhar em Amériques, que terminou em 1921. Nessa obra, Varèse mostra-se particularmente atento em dar corpo à matéria sonora proteiforme, palavra criada a partir da entidade mitológica grega Proteu, divindade com o poder de se metamorfosear: ele transforma as massas sonoras em cores de timbres, jogos de interações recíprocas, liberadas do jugo de um sistema. Necessitou, para essa empreitada, de integrar novos conceitos de sonoridade, que transformam os parâmetros clássicos da música em categorias mais amplas, portanto em campos, noção móvel, mas mais em consonância com as pesquisas desenvolvidas pelas ciências físicas de hoje. Com efeito, na teoria quântica de campos, derivada dos trabalhos sobre o eletromagnetismo, os resultados exatos são raros, e deve-se habitualmente valer-se de métodos de aproximações sucessivas (também chamada de teoria das perturbações). Notar-se-á igualmente a concordância da composição Amériques com a publicação da teoria da relatividade geral de Albert Einstein (1915).

Foi depois de terminada a mencionada obra que Varèse fundou a International Composers' Guild, (inglês para: Associação Internacional de Compositores), dedicada à interpretação de novas obras de compositores norte-americanos e europeus, e para a qual compôs quantidade de peças para instrumentos de orquestra e voz, como Offrandes, em 1922, Hyperprism, em 1923, Octandre, em 1924, e Intégrales, em 1925.

Em 1928, Varèse retornou a Paris para modificar certas partes de Amériques, nela incluindo o instrumento ondas Martenot, criado, na década de 1920, por Maurice Martenot, inventor e músico francês. Compôs em 1931 sua mais célebre obra não eletrónica, institulada Ionisation. É freqüentemente apresentada como a primeira peça escrita unicamente para instrumentos de percussão: mas há erro nessa afirmação, insidiosamente criada e divulgada pelo próprio Varèse (conferir em Alejo Carpentier). Se fizermos abstração de um Interlúdio escrito por Dmitri Shostakovich para a ópera Le Nez (O Nariz), a primeira obra exclusiva para instrumentos de percussão da música erudita ocidental é Rítmica V (1929), do compositor nascido em 1900, em Cuba, Amadeo Roldán. Ainda que escrita para os instrumentos existentes, Ionisation foi concebida como uma pesquisa de novos sons e de novos métodos para os criar. Em 1933, quando Varèse ainda estava em Paris, escreveu à Fundação Guggenheim e aos Laboratórios Bell na esperança de obter fundos para desenvolver um studio de música eletrónica.

A sua composição seguinte, Ecuatorial, terminada em 1934, continha partes para teremins, e Varèse, antecipando uma resposta favorável ao seu pedido de fundos, retorna aos Estados Unidos para lá criar a sua música eletrónica. Varèse escreveu Ecuatorial para dois teremins, registro (voz) de baixo, instrumentos de sopro e de percussão, no início dos anos 1930. A obra foi executada no dia 15 de abril de 1934, sob a direção de Nicolas Slonimsky. Em seguida, Varèse deixa Nova Iorque, onde vivia desde 1915, e vive em Santa Fé, São Francisco e Los Angeles. Quando Varèse retorna à França, em 1938, Léon Theremin havia regressado à Rússia. Esse facto desesperou Varèse, que havia esperado trabalhar com Theremin num aperfeiçoamento do instrumento. Varèse havia também apresentado o teremim por ocasião de suas viagens ao Leste estadunidense, e havia feito uma demonstração do instrumento em 12 de novembro de 1936, numa conferência na Universidade do Novo México, em Albuquerque.

Quando, perto do fim da década de 1950, Varèse foi contactado por um editor para publicar Ecuatorial, restavam apenas uns poucos teremins, e ele decidiu então reescrever essa peça para ondas Martenot. A nova versão foi criada em 1961.

Varèse havia definido muito cedo os parâmetros de uma nova ética da pesquisa musical. Ele queria que o rigor da pesquisa mantivesse uma firmeza artística desligada de qualquer teoria apriorística. O seu propósito é freqüentemente citado, pois ficou famoso por ser visionário, que a ele somente se refere o estado de inquietude no qual foram jogados desde então os compositores:

Música, que deve viver e vibrar necessita de novos meios de expressão e somente a ciência consegue impregná-la com ímpeto juvenil… eu sonho com instrumentos que obedeçam ao pensamento e que, apoiados por uma torrente de timbres ainda não sonhados, servirão para qualquer combinação que eu lhe escolha impor e se submeterão às exigências de meu ritmo interior.

Em 1958, o Concret PH (Parabole – Hyperbole), de Iannis Xenakis, peça curta de dez minutos, serviu de interlúdio durante o concerto no Pavilhão Philips, da Exposição Universal de Bruxelas: ele preparava os ouvintes para o Poème Électronique, de Edgar Varèse. O espaço sonoro redistribuído cumpria então um papel bem mais importante do que um simples meio, que um substrato para a obra: ele eleva-se ao nível de parâmetro da composição. Desde Hyperprism (1923), Varèse começou a criar uma música que integra o componente espacial a uma nova dimensão da representação, a uma música espacializada.

OBRAS

Un grand sommeil noir (1906), para soprano e piano (uma versão orquestral foi realizada por Antony Beaumont)
Amériques (1921), para grande orquestra.
Offrandes (1921), para soprano e orquestra de câmara.
Hyperprism (1922-23), para pequena orquestra e percussão.
Octandre (1924), para sete instrumentos de sopro e contrabaixo.
Intégrales (1924-25), para pequena orquestra e percussão.
Arcana (1926-27), para grande orquestra.
Ionisation (1931), para 13 percussionistas. Ao menos duas versões para 6 percussionistas foram propostas: a primeira, por Georges Van Gucht, para Les Percussions de Strasbourg, a quem Varèse deu sua permissão, e a segunda, em 2002, por Georges Boeuf, para 'Symblêma', sobre a qual o maestro Frédéric Daumas escreveu em 08 de julho de 2003: "Esta última versão é igualmente para 6 percussionistas. Ela respeita escrupulosamente a partitura original e foi concebida de maneira a conservar a espacialiazação do som da versão para 13.
Ecuatorial (1934), para coro, trompetes, trombones, piano, órgão, 2 ondas Martenot e percussão.
Densité 21,5 (1947), exclusivo para flauta.
Déserts (1954), para instrumentos de sopro, de percussão e fita magnética.
Poème Électronique, para fita magnética (1958).
Nocturnal (1959-61) para soprano, coro e orquestra (inacabada).
Nuit, calcada em poema de Henri Michaux, para soprano, instrumentos de sopro, contrabaixo e percussão (inacabada).
 
Para ouvir
http://www.youtube.com/watch?v=XuDB4VlPkfE

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

VANHAL, JOHANN

Johann Baptist Vanhal (12 de maio de 1739, 20 de agosto de 1813) foi um importante compositor de música clássica; nasceu em Nechanice, Bohemia, de uma família checa.
Nascido em Nechanice, Bohemia, numa família camponesa checa, Vanhal recebeu o seu primeiro treinamento de um músico local. A partir destas origens humildes, foi capaz de ganhar a vida como organista da vila e do coro.A Condessa Schaffgotsch, que o ouviu tocar violino, levou-o a Viena em 1760, onde ararranjou aulas de composição com Ditters Carl von Dittersdorf. Um maior apoio ajudou-o a viajar e a ganhar mais conhecimento da música e com a idade de 35 anos, estava vivendo um grande momento de exaltação musical: é relatado que ele tocou com quartetos de Haydn, Mozart e Dittersdorf. Escreveu três óperas: Il Demofoonte (1770), Il Trionfo di Clelia (1770) e A Princesa de Tarento. Na década de 1770, Vanhal conheceu o contrabaixista Johannes Matthias Sperger e escreveu um concerto para contrabaixo para ele. O historiador de música inglês, Frances Burney, visitou Vanhal em 1772. Mozart apresentou o Violin Concerto in B flat de Vanhal, em Augsburgo, em 1777. Cerca de 1784, Haydn, Dittersdorf, Mozart e Vanhal tocaram String Quartets juntos. Haydn e Dittersdorf tocaram os violinos, Mozart a viola, e Vanhal no violoncelo. O regitador deste evento, o compositor e tenor Michael Kelly, afirmou que eles tocaram bem, mas não excepcionalmente bem, mas a imagem de quatro dos grandes compositores de todos os tempos que se juntaram para fazer música  em comum,  ainda é uma das imagens clássicas da Era clássica.

Contou ter sofrido de uma doença nervosa não especificada que acabou por desaparecer, mas que deu força à opinião mantida por Burney e outros que a qualidade das composições de Vanhal se deteriorou com o desaparecimento de sua condição nervosa. Os estudiosos, tais como Paul Bryan acham que "a qualidade e a quantidade dos trabalhos sérios,  que ele (Vanhal), compôs depois de 1770, ... desmentem essa afirmação".

Vanhal adaptou a sua saída à realidade económica da época e deixou de escrever sinfonias no final dos anos 1770. A sua imaginação fértil não só criou mais de 1300 obras, mas também experiências de maneira bastante radical com estilo musical e estrutura.
Tinha de ser um escritor prolífico para responder às demandas feitas sobre ele, e que lhe são atribuídos 100 quartetos, pelo menos, 73 sinfonias, 95 obras sacras, e um grande número de obras instrumentais e vocais. As sinfonias, em especial, têm sido cada vez mais freqüentemente gravadas em disco compacto em tempos recentes, e as melhores delas são comparáveis com os muitas de Haydn. Muitas das sinfonias de Vanhal estão em tonalidades menores e são considerados altamente influentes para o "Sturm und Drang" movimento do seu tempo. Vanhal faz uso de semicolcheias repetidas, batendo colcheias na linha de baixo, saltos brucos nos temas, faz uma pausa repentina (fermatas), silêncios, marcas dinâmicas exageradas ... e todas estas características ... aparecem em grande escala na sinfonia Sturm und Drang, nº. 25 em Sol menor (K. 183) de 1773, de Mozart. " Esse tipo de estilo também aparece em Joseph Haydn, Sinfonia 83 em Sol menor,The Hen (1785), e Sonata em Sol menor, Op.34, No.2 de Muzio Clementi, cerca de 1795".

Tal foi o sucesso que dentro de alguns anos depois das suas sinfonias terem sido escritas, estavam sendo apresentadas em todo o mundo, mesmo num país  como os Estados Unidos. Na vida ele raramente passou de Viena, onde também foi um professor activo.

OBRAS

4 Sinfonie Concertanti (Paris, 1775)
A favourite Concerto for the German flute or Vl. (London, ca. 1775)
6 concertos for Harspichord:
1 Concerto for Harps. (Wien, 1785)
2 Concertos for Harps. (London, 1788)
1 Concerto for Harps. (Offenbach, 1789)
1 Concerto for Harps. (Mainz, 1880)
1 Concerto for Harps. (Wien, 1808)
1 Concertino for Harpsichord (Wien, s.a.)
5 Concertos for Flute (Paris, s.a.)

Concertos: Manuscripts
1 Concerto for Cravo e Violino
Muitos concertos para Cravo ou Piano (o número exacto é ainda descnhecido)
2 Concertos for Harpsichord or Organ
1 Concerto para Órgão
1 Concerto para 2 Violinos
5 Concertos para Violino
1 Concerto para Violoncelo
2 Concertos para Flauta:
(MS 1-D major:
(MS 2-E flat major
1 Concerto para Viola
1 Concerto para Contrabaixo
1 Concerto para Clarinete
1 Concerto para 2 Fagotes
1 Concerto para Fagote
Violoncelo concerto in A major
Concerto para 2 fagotes e orquestra
Flauta concerto No. 1
Flauta concerto No. 2

Symphonies
4 Symphonies Op. 10 (Paris, 1771-72)
3 Symphonies Op. 10 (Paris, 1773)
3 Symphonies Op. 16 (Paris, 1773)
2 Symphonies Op. 17 (Paris, 1773)
1 Symphony (Paris, 1778)
3 Symphonies Op. 10 (Amsterdam, ca. 1783)
1 Symphony Op. 10 (Offenbach, s.a.)
34 Symphonies Périodiques (Amsterdam)

Symphonies: selection of best known symphonies
Symphony in A major Bryan A9
Symphony in A flat major Bryan As1
Symphony in B major Bryan B3
Symphony in C major Bryan C3
Symphony in C major (Comista) Bryan C11
Symphony in D major Bryan D2
Symphony in D major Bryan D4
Symphony in D major Bryan D17
Symphony in G major Bryan G6
Symphony in G major Bryan G8
Symphony in G major Bryan G11
Symphony in a minor Bryan a2
Symphony in c minor Bryan c2
Symphony in d minor Bryan d1
Symphony in d minor Bryan d2
Symphony in e minor Bryan e1
Symphony in g minor Bryan g1
Symphony in g minor Bryan g2

Chamber Music

Piano quartets:
Piano quartet in E flat major Op. 40 No. 1
Piano quartet in G major Op. 40 No. 2
Piano quartet Op. 40 No. 3

Oboe quartets:
Oboe quartet Op. 7 No. 1
Oboe quartet Op. 7 No. 2
Oboe quartet Op. 7 No. 3
Oboe quartet Op. 7 No. 4
Oboe quartet Op. 7 No. 5
Oboe quartet Op. 7 No. 6

Caper quartet:
Caper quartet in G major Op. 4 No. 1

Trio:
Trio Op. 20 No. 1
Trio Op. 20 No. 2
Trio Op. 20 No. 3

Viola sonatas:
Viola sonata Op. 5 No. 1
Viola sonata Op. 5 No. 2
Viola sonata Op. 5 No. 3
Viola sonata Op. 5 No. 4

Operas
Il Demofoonte (Metastasio; Roma, 1770)
Il trionfo di Clelia (Metastasio; Roma, 1770)

Sacred Music

Published Sacred Music
2 Masses (C major and G major, Wien, s.a.)
2 Offertories (Wien, s.a.)
Pange Lingua (Wien, s.a.)
IV breves et faciles Hymni in honorem SS. Altari Sacramenti (Wien, s.a.)

Sacred Music: Manuscripts

58 Masses:
MS 1-G major Missa Pastoralis ca. 1782
MS 2-C major Missa Solemnis ca. 1778
1 Credo
Kyrie and Gloria
54 Offertories
16 Salve Regina
10 litanies
14 motets
Stabat Mater
Te Deum
Tantum ergo
Pange Lingua
Quatro stationi
Sacrum Solenne
31 arias

Para ouvir
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