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Esta página pretende apenas ser um complemento da inicialmente criada para o Coro de Câmara de Beja, uma vez que a extensa lista de compositores tornava pouco prática a utilização daquela página.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

SCARLATTI, DOMENICO


Domenico Scarlatti (Nápoles, 26 de outubro de 1685 — Madrid, 23 de julho de 1757) foi um compositor italiano e cravista de música barroca radicado na corte portuguesa de D. João V, foi compositor real e mestre dos príncipes seus filhos, seguiu com a princesa Maria Bárbara de Bragança para Espanha aquando do seu casamento com Fernando VI de Espanha. Foi o filho do, também compositor, Alessandro Scarlatti. Foi uma pessoa imensamente culta que apresentava sinais de sobredotação. Um musico de excelente companhia, com uma vocação enorme que herdou do seu pai. Fisicamente aparentava traços muito feios, em que a sua tristeza inegualável fez-lhe ganhar o prémio nobel do maior susto provocado em vivo.


Scarlatti passou a maior parte de sua vida em Portugal e na Espanha. Através de seu estilo individual, teve uma enorme influência no desenvolvimento do período clássico da música, embora ele tenha vivido a maior parte de sua vida dentro do período barroco.


Domenico Scarlatti nasceu no mesmo ano em que nasceram dois outros grandes mestres do barroco, Johann Sebastian Bach e Georg Friedrich Händel. Foi o sexto de dez filhos e o irmão mais novo para Pietro Filippo Scarlatti, também músico. O mais provável é que tenha recebido os primeiros ensinamentos de seu pai, o compositor e professor Alessandro Scarlatti. Outros compositores que também podem ter sido seus professores foram: Gaetano Greco, Francesco Gasparini e Bernardo Pasquini, que parecem ter influenciado seu estilo musical.


Scarlatti tornou-se compositor e organista na capela real de Nápoles em 1701. Em 1704, ele revisou a ópera "Irene" de Carlo Francesco Pollarolo para ser apresentada em Nápoles. Pouco depois seu pai mandou-o para Veneza. Não existem registos a seu respeito nos próximos quatro anos. Em 1709, ele foi a Roma ao serviço da rainha polaca, então no exílio, Marie Casimire, onde ele encontrou Thomas Roseingrave que liderou em Londres uma entusiática recepção às sonatas do compositor. Já um cravista renomado, há uma história de que numa competição com Georg Friedrich Händel, no palácio do cardeal Ottoboni, em Roma, ele talvez tenha sido julgado superior a Händel naquele instrumento, embora inferior com relação ao órgão. Mais tarde, Scarlatti ficou conhecido pela veneração com que se referia às habilidades de Händel.


Também, enquanto em Roma, Scarlatti compôs várias óperas para o teatro particular da Rainha Casimire. Ele foi maestro di cappella em São Pedro, de 1715 a 1719 e, neste último ano, foi a Londres para dirigir sua ópera "Narciso" no King's Theatre.


Em 1720, ou 1721, Scarlatti foi a Lisboa, onde ensinou música para a princesa portuguêsa Maria Magdalena Bárbara (Maria Bárbara de Bragança). Esteve novamente em Nápoles, em 1725. Durante uma visita a Roma, em 1728, casou-se com Maria Caterina Gentili. Em 1729, mudou-se para Sevilha onde permaneceu por quatro anos. Ali veio a conhecer o flamenco. Em 1733, foi a Madri para assumir o cargo de músico master da princesa Maria Bárbara, que se casara com o Príncipe Herdeiro de Espanha. D. Maria Bárbara tornou-se rainha da Espanha e ele permaneceu no país por cerca de vinte e cinco anos, tendo, alí, sido pai de cinco filhos. Depois da morte de sua esposa, em 1742, desposou uma espanhola, Anastasia Maxarti Ximenes. Durante o período que permaneceu na Espanha, Scarlatti compôs mais de quinhentas sonatas para teclado e é por esses trabalhos que ele hoje é lembrado.


Scarlatti foi amigo do cantor castrado, Farinelli, um napolitano que estava sendo patrocinado pela casa real, em Madri. O musicólogo Ralph Kirkpatrick reconhece que a correspondência de Scarlatti com Farinelli fornece a informação mais directa sobre [o compositor] que foi deixada para os nossos dias.


Domenico Scarlatti faleceu em Madri, com a idade de 71 anos. A sua casa, na Calle Leganitos, é identificada com uma placa histórica e seus os descendentes ainda vivem naquela cidade.


Apenas uma fracção das composições de Scarlatti foi publicada durante sua vida. Parece que o próprio Scarlatti supervisionou a publicação, em 1738, da sua colecção mais famosa, um livro de 30 Essercizi ("Exercícios") que foram aclamados em toda a Europa com o apoio irrestrito do mais proeminente escritor sobre música do século XVIII, o Dr. Charles Burney.


As muitas sonatas não publicadas durante a vida de Scarlatti foram impressas de forma irregular ao longo dos dois séculos e meio seguintes. Apesar disso, Scarlatti atraiu a atenção de admiradores notáveis inclusive Chopin, Brahms, Bartók, Heinrich Schenker e Vladimir Horowitz. Particularmente a escola russa de piano tem sido apoiadora/divulgadora das sonatas.


Scarlatti compôs cerca de de quinhentas sonatas para o teclado, geralmente de um único movimento, na forma binária. A moderna técnica do piano deve muito à sua influência. Algumas possuem uma audácia harmónica tanto no uso de dissonâncias ou aglomeados de acordes, como no uso audacioso de modulações não convencionais e tonalidades remotas. Scarlatti também foi pioneiro no domínio do ritmo e da sintaxe musical: síncopes e rítmos cruzados são comuns na sua música.
Os seguintes são outros atributos do estilo de Scarlatti:


- Clara influência da música folclórica espanhola. O uso do modo frígio e outras inflexões tonais por Scarlatti mais ou menos alheias à música europeia  são um óbvio sintoma disso, bem como sua utilização de grupos de acordes extremamente dissonantes ou outras técnicas que parecem imtar o violão. O uso maciço e, algumas vezes trágico, dos idiomas folclóricos é bastante raro, pelo menos até que a música compilada por Béla Bartók e seus contemporâneos tenha emprestado á música folclórica a sua voz estridente;


- A antecipação de muitos desenvolvimentos de estilo, forma e textura que levaram ao assim chamado 'estilo clássico';


- Um recurso formal em que cada metade de uma sonata conduz a um ponto central o qual,o especialista em Scarlatti, Ralph Kirkpatrick chamou o ponto x e que, algumas vezes é sublinhado por uma pausa ou uma fermata. Antes do x, as sonatas de Scarlatti contêm as suas principais variações temáticas e depois do x a música aumenta o uso de figuras repetitivas à medida em que modula a partir da tonalidade principal (na primeira metade) ou retorna à tonalidade principal (na segunda metade).


Ente suas obras chaves encontram-se: Sonatas em Lá Maior K181, Salve Regina e Stabat Mater.

Para ouvir
http://www.youtube.com/watch?v=L9wcGJa0R_k

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

SACARLATTI, ALESSANDRO



Alessandro Scarlatti foi um compositor do barroco italiano (n. Palermo, 2 de Maio de 1660 - f. Nápoles, 24 de Outubro de 1725). Foi um dos precursores da ópera italiana e é considerado o pai da escola napolitana de ópera, obtendo grande sucesso com obras como A Rosaura, Telémaco e Griselda. Além das óperas, Alessandro Scarlatti também ficou famoso pelas suas cantatas de câmara. Foi pai de dois outros compositores: Domenico Scarlatti e Pietro Filippo Scarlatti.

Embora as suas óperas fossem dotadas de um alto nível musical e tivessem influenciado compositores de outros países, não tinham maior interesse do ponto de vista da acção dramática; continham aberturas, chamadas sinfonias, que geralmente consistiam em três movimentos: um rápido, um lento e outro rápido. Essa forma tornou-se de grande importância na criação posterior da sinfonia clássica para orquestra.

Alessandro Scarlatti foi um compositor de extraordinário talento criativo. A sua obra compreende nada menos que 115 óperas, 150 oratórias e mais de 500 cantatas, além de composições instrumentais. Quando jovem, viveu em Roma como músico da corte da rainha Cristina da Suécia. Residiu em Veneza e em Urbino e mais tarde mudou-se para Nápoles.

A música de Scarlatti forma um importante elo entre a música vocal do início do Barroco italiano do século XVII, centrada em Florença, Veneza e Roma, e a escola clássica do século XVIII, que culmina em Haydn e Mozart.

Scarlatti nasceu na Sicília, em Trapani ou Palermo. Acredita-se que tenha sido aluno de Giacomo Carissimi em Roma e há razões para se crer que ele tenha tido conexões com a parte nordeste da Itália, uma vez que os seus primeiros trabalhos revelam a influência de Stradella e Legrenzi. A produção em Roma da ópera Gli Equivoci nell’amore (1679) granjeou-lhe a proteção da Rainha Cristina da Suécia que, na época, vivia em Roma, e ele se tornou seu maestro di cappella. Em fevereiro de 1684, ele passou a maestro di cappella do vice-rei de Nápoles, graças à influência de sua irmã, uma cantora de ópera que era amante de um nobre napolitano importante. Nessa posição, ele produziu uma série de óperas memoráveis, principalmente por sua fluência e expressividade, bem como outro tipo de música para solenidades estatais.

Em 1702, Scarlatti deixou Nápoles e não retornou até que o domínio espanhol fosse substituído pelo austríaco. Durante esse período, ele usufruiu dos patrocínios de Ferdinando de' Medici, para cujo teatro particular, próximo de Florença, ele compôs óperas, e do Cardeal Ottoboni, que fez dele seu maestro di cappella, e intermediou para ele, em 1703, um lugar semelhante na Basilica di Santa Maria Maggiore em Roma.

Depois de visitar Veneza e Urbino, em 1707, Scarlatti retomou as suas obrigações em Nápoles em 1708 e lá permaneceu até 1717. Por esta época, Nápoles pareceu ter-se cansado da sua música. Os romanos, entretanto, apreciaram-no ainda mais e foi no Teatro Capranica, em Roma, que ele produziu algumas de suas melhores óperas (Telêmaco, 1718; Marco Attilio Regolò, 1719; La Griselda, 1721), e alguns nobres exemplares de música sacra, incluindo uma missa para coro e orquestra, composta em honra a Santa Cecília para o Cardeal Acquaviva em 1721. O seu último trabalho em grande escala, parece ter sido a serenata inacabada composta para o casamento do príncipe de Stigliano em 1723. Scarlatti morreu em Nápoles.

A música de Alessandro Scarlatti é um elo importante entre os estilos vocais do início do barroco italiano do século XVII, cujo centro foi Florença, Veneza e Roma, e a escola clássica cujo apogeu foi Mozart. As sua primeiras óperas (Gli Equivoci nel sembiante, de 1679; L’Honestà negli amori, de 1680, que contém a famosa ária "Già il sole dal Gange"; Pompeo, de 1683, que contém as bem conhecidas árias "O cessate di piagarmi" e "Toglietemi la vita ancor," e outras até 1685) mantêm as antigas cadências em seus recitativos e uma variedade considerável de formas construídas de maneira cristalina em suas charmosas pequenas árias algumas vezes acompanhadas pelo quarteto de cordas, tratadas com cuidadosa elaboração, e algumas vezes acompanhadas apenas pelo cravo. Por volta de 1686 ele criou definitivamente a forma abertura italiana (segunda edição de Dal male il bene), e abandonou o ostinato e a ária na forma binária, com duas instâncias em favor da forma ternária ou da ária chamada da capo, um tipo de ária que termina sempre com um retorno às seção inicial (daí o nome da capo, significando volta ao início). As suas melhores óperas deste período são La Rosaura, de 1690 e Pirro e Demetrio, de 1694, que possui as árias Rugiadose, odorose, e Ben ti sta, traditor.

A partir de 1697 (La Caduta del decemviri),talvez parcialmente influenciada pelo estilo de Giovanni Bononcini e provavelmente mais moldadas ao gosto da corte vice-real, suas árias se tornaram mais convencionais e mais rítimicamente comuns, ao mesmo tempo que a sua orquestração era mais apressada e crua, embora não sem brilhantismo ("Eracles", de 1700), usando com freqüência os oboés e os trompetes, com os violinos tocando em uníssono. As óperas compostas para Ferdinando de' Medici foram perdidas; elas podem ter dado uma idéia mais favorável de seu estilo, já que a sua correspondência com o príncipe mostra que foram criadas com um sincero senso de inspiração.

Mitridate Eupatore, considerada sua obra prima, composta para Veneza em 1707, contém música muito à frente de qualquer coisa que Scarlatti tenha escrito para Nápoles, tanto técnica como intelectualmente falando. As últimas óperas napolitanas (L'Amor volubile e tiranno, de 1700; La Principessa fedele, de 1712; Tigrane, de 1715 etc.) são pomposas e eficientes ao invés de profundamente emocionais; a orquestração é um grande avanço em relação aos trabalhos anteriores já que o principal acompanhamento da voz é deixado a cargo quarteto de cordas. O cravo é reservado exclusivamente para os ruidosos ritornelli. Ele criou o ritornello orquestral em sua ópera Teodora, de 1697.

O seu último conjunto de óperas, composto para Roma, mostra um profundo sentimento poético, um estilo amplo e nobre, um forte senso dramático, especialmente nos recitativos acompanhados, um recurso que ele próprio foi o primeiro a utilizar, tão cedo quanto 1686 (Olimpia vendicata) e um estilo de orquestração muito mais moderno, as trompas aparecendo pela primeira vez e sendo tratadas de modo a produzir um efeito eletrizante.

Além das óperas, oratórios (Agar et Ismaele esiliati, de 1684; Christmas Oratória, c. 1705; S. Filippo Neri, de 1714; e outros) e serenatas, todos exibindo um estilo semelhante, Scarlatti compôs mais de 500 cantatas de cãmara para voz-solo. Estas representam o tipo de música de câmara mais intelectualizado de seu período e lamenta-se que praticamente todas tenham sido mantidas na forma de manuscrito, já que o seu estudo é indispensávl para quem deseja ter uma idéia adequada da evolução da técnica de composição de Scarlatti.

As poucas missas restantes (dificilmente se pode  dar crédito à história das duzentas missas que ele teria composto) e outras músicas sacras de sua autoria são comparativamente pouco importantes, com exceção da grande Missa de Sta. Cecília que foi uma das primeiras tentativas no estilo que atingiu o seu ponto máximo nas Missas de J. S. Bach e Beethoven. A sua música instrumental, embora não sem interesse, é curiosamente antiquada quando comparada com sua obra vocal.

Para ouvir
http://www.youtube.com/watch?v=fcIZGMm9Qyg

SAYGUN, AHMED


Ahmed Adnan Saygun (nascido em Esmirna em 7 de Setembro de 1907 - morreu em Istambul, em 6 de janeiro de 1991) foi um compositor turco, musicólogo e escritor sobre música. Ahmed Adnan Saygun é reconhecido como um dos mais importantes compositores do século 20 na história da música turca.
Ele era um mestre da forma neoclássica, e as suas obras estão enraizadas na prática musical ocidental, ainda que incorporem tradicionais canções folk  e da cultura turca. Saygun geralmente adiciona este elemento folk, escolhendo uma nota fora da escala e tece uma melodia em torno dele usando um modo turco. A sua produção extensiva inclui cinco sinfonias, cinco óperas, dois concertos para piano, concertos para violino, viola e violoncelo, e uma ampla gama de música de câmara e obras corais. The London Times chamou de "o grande homem da música turca, que estava para o seu país como  Jean Sibelius é para a Finlândia, como Manuel de Falla é para a Espanha, e que Béla Bartók é para a Hungria."

Ahmed Adnan Saygun nasceu em 1907, em Izmir, no Império Otomano, na Turquia de hoje. Havia concertos frequentes dados pelas bandas militares otomanas, e as apresentações de obras ocidentais por conjuntos de música de câmara, ao mesmo tempo e isso influenciou Saygun para iniciar a sua primeira aula de música na escola primária. Ele começou a tocar piano, o alaúde otomano  de pescoço curto e oud em idade precoce e rapidamente encontrou a sua paixão escrevendo música com a idade de catorze anos. Seu pai, que era um professor de matemática e estudioso das religiões e da literatura  ensinou-lhe Inglês e Francês, bem como as religiões do mundo em tenra idade. Através de rigoroso estudo, Saygun foi capaz de traduzir a secção de música de francês Grande Encyclopédie para uma enciclopédia de música em turco. Enquanto esteve no colégio, ele continuou as suas lições de música com aulas na escola, bem como com um professor particular e através de um livro de teoria que lhe foi dado em uma idade precoce. Em 1926, apenas dois anos após a sua graduação da escola secundária, foi nomeado professor de música numa escola em sua cidade natal de Izmir.

Em 1928 foi reconhecido nacionalmente e recebeu uma bolsa para estudar em França, por parte do Estado turco. Participou na Schola Cantorum, em Paris, onde estudou composição com Vincent d'Indy, teoria e contraponto com Eugène Borrel, órgão com Souber Bielle e canto gregoriano com Amadee Gastoué. Foi ainda introduzido na música tardo-romântica e no impressionismo francês. Durante esse tempo, a sua imaginação floresceu, permitindo-lhe gravar o seu primeiro trabalho para grande orquestra "Divertimento". Esta peça ganhou um prémio em 1931, em Paris e foi realizada com grande sucesso. Em 1931, ele voltou para a Turquia como professor de música para um novo estabelecimento criado por Mustafa Kemal Atatürk, que teve como objectivo formar professores de música no que diz respeito à nova lei das artes. Isto sugere que os padrões de formação anterior tiveram que ser alterados para atender padrões musicais ocidentais. A educação musical adoptou práticas musicais ocidentais, como parte desta nova era na Turquia.

Em 1934, foi apontado como o maestro da Orquestra Sinfónica de prestígio presidencial. Naquele mesmo ano Atatürk aproximou Saygun, pedindo-lhe para escrever a primeira ópera turca. Como Saygun foi um grande seguidor de Atatürk, aceitou a sua oferta com grande calor e em dois meses escreveu a primeira ópera turca, Özsoy. O tema da ópera foi  como a Turquia se desenvolveu após a Primeira Guerra Mundial e após os ensinamentos de Atatürk. Seguindo o sucesso de Saygun, Özsoy, Atatürk  pediu para escrever outra ópera sugerindo o heroísmo dos turcos, a devoção deAtatürk ao seu país e ao seu povo.

Saygun rapidamente terminou a sua segunda ópera Taşbebek nesse mesmo ano. Este foi o ano que marcou a carreira Saygun como a voz "musical" da recém-fundada República da Turquia. Agora, era o símbolo musical do seu país e tinha dedicado a sua obra e vida ao povo e ao seu país, tal como o seu grande admirador Atatürk.

Na sequência das óperas mudou-se para Istambul, como parte do corpo docente de teoria no Conservatório Municipal de Istambul. Em 1936, Béla Bartók visitou a Turquia para a pesquisa da música folclórica nativa. Saygun Bartók acompanhou-o nas suas viagens ao redor do país, colectando e transcrevendo canções folclóricas por toda a Anatólia e Osmaniye (uma região de Adana), Turquia. Saygun ganhou imenso conhecimento do estilo de Bartók de escrever durante essa viagem e aprendeu muito sobre o quarteto de cordas; eles tornaram- se grandes amigos.

Em 1939, foi convidado a voltar a Ancara para promover actividades  musicais e práticas ocidentais. Um ano depois, formou a sua própria organização, Ses ve Tel Birliği, que apresentou recitais e concertos por todo o país, continuando a desenvolver o conhecimento público da música clássica ocidental.

A aclamação internacional de Saygun floresceu com a sua oratória Yunus Emre, em 1946. Esta é uma obra de uma hora, escrita para quatro solistas vocais, coro completo e uma orquestra completa, que estabelece uma série de poemas do século 13 do poeta místico Anatolian Yunus Emre. Este trabalho capta  o legado de Yunus Emre, com a utilização de modos turcos e melodias populares, embora seja escrito no estilo pós-romântico. Desde a sua estreia, em Ancara, em 1947, a oratória foi traduzida para cinco idiomas e executada em todo o mundo, incluindo uma apresentação em inglês nas Nações Unidas, com a NBC Symphony Orchestra, liderada pelo maestro Leopold Stokowski,  em 1958. Neste mesmo ano ganhou o Stella della Solidarieta e os prémios de composição Jean Sibelius.

O sucesso de "Yunus Emre"  incentivou Saygun a compor obras em escala mais larga. Na década de 1950, ele escreveu três novas óperas, as suas duas primeiras sinfonias, um concerto para piano, e várias peças de peças de música de câmara, das quais uma estreia em Paris, o primeiro quarteto de cordas (1954) e uma pré-estreia do segundo quarteto de cordas  (1958) em Nova York, realizado pelo Quarteto de Cordas Juilliard. Seguiram-se, entre outras obras, mais três sinfonias, concertos para violino e viola e um segundo concerto para piano e um terceiro quarteto de cordas. Um  quarto  quarteto permaneceu inacabado atá à sua morte.

Saygun era conhecido não só como compositor mas também como um estudioso que escreveu e publicou muitos livros sobre o ensino da música. Também foi etnomusicólogo e professor. Influenciou o desenvolvimento da música ocidental na Turquia, e ajudou a estabelecer vários conservatórios de música nova, e foi também membro do Conselho Nacional de Educação e do conselho de administração da Rádio  Corporation Television da Turquia. Começando em 1972,  ensinou composição e etnomusicologia no Conservatório Municipal de Istambul (rebatizado " Conservatório Estadual de Música Turco", em 1986) até sua morte em 1991. Depois da sua morte, foi fundado  o Centro de Pesquisa de Música da Universidade Bilkent, Ahmed Adnan Saygun, em Ancara, na Turquia, onde os seus manuscritos originais e arquivos também são mantidos.
 O historiador de música turco, Emre Araci, publicou uma biografia completa e um catálogo de Adnan Saygun em 2001 (Yapı Kredi Yayınları, em turco), baseado na sua tese de doutoramento, em 1999, da Universidade de Edimburgo. 

OBRAS

Óperas
Op.9 Özsoy (one act), 1934
Op.11 Taşbebek (one act), 1934
Op.28 Kerem (three acts), 1947-52
Op.52 Köroğlu (three acts), 1973
Op.65 Gılgameş, 1962-1983

Ballets
Op.17 Bir Orman Masalı (A Forest Tale), 1939-43
Op.75 Kumru Efsanesi (Legend of Kumru), 1986-89

Orchestral
Op.1 Divertimento, (large orchestra wıth saxophone and darbuka), 1930
Op.10/b İnci's Book (Symphonic arrangement), 1944
Op.13 Magic Dance, 1934
Op.14 Suite for Orchestra, 1936
Op.24 Halay, 1943
Op.29 Symphony No. 1, 1953
Op.30 Symphony No. 2, 1958
Op.39 Symphony No. 3, 1960
Op.57 Ritual Dance, 1975
Op.53 Symphony No. 4, 1974
Op.70 Symphony No. 5, 1985
Op.72 Variations for Orchestra, 1985

Vocal/Choral Orchestral
Op.3 Laments (tenor solo and male choir), 1932
Op.6 Kızılırmak Türküsü (folk song for soprano), 1933
Op.16 Masal Lied (baritone solo), 1940
Op.19 Cantata in the Old Style (soloists and chorus), 1941
Op.21 Geçen Dakikalarım (baritone solo), 1941
Op.23 Four Folk Songs, 1945
Op.26 Yunus Emre, oratorio (soloists, choir, orchestra), 1942
Op.41 Ten Folk Songs, 1968
Op.54 Laments - Book II (tenor solo, male voices), 1974
Op.60 Mediations on Men I, 1977
Op.61 Mediations on Men II, 1977
Op.63 Mediations on Men III, 1983
Op.64 Mediations on Men IV, 1978
Op.66 Mediations on Men V, 1978
Op.67 Epics on Atatürk and Anatolia, 1981
Op.69 Mediations on Men VI, 1984

Concertante
Op.34 Piano Concerto No. 1, 1952-58
Op.44 Violin Concerto, 1967
Op.59 Viola Concerto, 1977
Op.71 Piano Concerto No. 2, 1985
Op.74 Cello Concerto, 1987

Chamber
Op.4 Intuitions ( two clarinets), 1933
Op.8 Percussion Quartet (clarinet, saxophone, piano, percussion), 1933
Op.12 Sonata (piano-cello), 1935
Op.20 Sonata (piano- violin), 1941
Op.27 String Quartet No.1, 1947
Op.33 Demet, Suite for violin and piano,1955
Op.35 String Quartet No.2, 1957
Op.37 Trio (oboe, clarinet, harp), 1966
Op.43 String Quartet No.3, 1966
Op.46 Wind Quintet, 1968
Op.49 Deyiş "Dictum" (strings), 1970
Op.50 Three Preludes (two harps), 1971
Op.55 Trio (oboe, clarinet, piano), 1975
Op.62 Concerto da Camera (strings), 1978
Op.68 Three Folk Songs for Four Harps, 1983
Op.78 String Quartet No.4-two movements, 1990

Instrumental
Op.31 Partita for Cello,1954
Op.36 Partita for Violin, 1961

Piano
Op.2 Suite for Piano, 1931
Op.10/a İnci's Book, 1934
Op.15 Piano Sonatina, 1938
Op.25 From Anatolia, 1945
Op.38 Ten Etudes on "Aksak" Rhythms, 1964
Op.45 Twelve Preludes on "Aksak" Rhythms,1967
Op.47 Fifteen Pieces on "Aksak" Rhythms, 1967
Op.58 Ten Sketches on "Aksak" Rhythms, 1976
Op.51 Short Things, 1950-52
Op.56 Ballade (two pianos), 1975
Op.73 Poem for Three Pianos, 1986
Op.76 Poem for Two Pianos, 1989?
Op.77 Piano Sonata, 1990?

Choral
Op.5 Folk Song, 1933
Op.7 Çoban Armağanı, 1933
Op.18 Dağlardan Ovalardan, 1939
Op.22 Bir Tutam Kekik, 1943
Op.42 Impressions (three female voices), 1935

Vocal
Op.32 Three Ballades, 1955
Op.48 Four Melodies, 1977 
 
Para ouvir
http://www.youtube.com/watch?v=A6E5TM4o9kk

domingo, 17 de janeiro de 2010

SAY, FAZIL


Fazil Say (nascido em 14 de Janeiro de 1970) é um pianista e compositor turco, em Ancara, Turquia.

Say, começou a tocar piano aos quatro anos de idade, continuou a sua formação musical no Ankara State Conservatory como estudante de "estatuto especial para crianças talentosas", e graduou-se em piano e compositon em 1987. Como ele continuou os seus estudos na Academia de Música de Düsseldorf, com bolsa de estudo alemão, ele obteve o seu diploma na Alemanha em 1991 como "solista" e tornou-se professor de piano e música de câmara, em 1992, em Berlim, na Performing Arts and Music Academy. Say ganhou o Europe Young Concert Soloists Competition, em 1994 e obteve o primeiro lugar no Concurso Mundial, que teve lugar em Nova Iorque em 1995. Além de tocar piano, compôs muitas oratórias, concertos para piano, peças de música de câmara, orquestra e piano, e muitas outras canções.

Algumas de suas peças incluem Nazim e Metin Altiok Oratórios, quatro concertos para piano,  a sua peça para orquestra"Albert Einstein", encomendado pela Orquestra de Zurique e seu balé chamado "Patara", encomendada pela Comissão Social de Mozart, foi composta para a celebração dos 250 anos de nascimento de Mozart.

Fazil Say já tocou com a  Filarmónica de Nova York, Detroit Symphony, a Sinfónica de Berlim, a Filarmónica Checa, a Filarmônica de Israel, a Filarmônica de São Petersburgo, a Orquestra Nacional de França e da Sinfónica de Tóquio.

Realizou um concerto ao ar livre no encerramento do Festival de Florença, em 2007, com a Florence Orchestra dirigida por Zubin Mehta, com uma audiência de mais de vinte mil ouvintes. Novamente em 2007, foi o presidente do júri de piano do Montreaux Jazz Festival. O seu CD, que também inclui  peças de Saypara piano  foi inspirado pelo cantor poeta turco de música Folk, Asik Veysel e chamado "Black Earth" e ficou classificado em 6 º lugar no American Billboards.

Em 2008, foi escolhido como "Embaixador da Cultura" pela União Européia e que visa a criação de uma nova ponte entre as culturas oriental e ocidental.

OBRAS

Peças orquestrais
Chamber Symphony - for string orchestra (1996)
Nazım - oratorio for piano, vocalists, narrator, orchestra and chorus (2001)
Requiem for Metin Altıok - oratorio for piano, chamber orchestra and chorus (2002/03)
İstanbul symphony - for extra large orchestra (2009/10

Concertos
Sinfonia Concertante - for piano and large orchestra (1994)
Silk Road - (Piano Concerto No. 2) for piano and chamber orchestra (1994)
Piano Concerto No. 3 - for piano and orchestra (2001)
Two Romantical Ballads - for piano and strings (1995)
Guitar Concerto - in d minor (1996)
Paganini Jazz - for piano and orchestra (2003)
Alla Turca - (Jazz Fantasy after Mozart) for piano and orchestra (2003)
Cadenzas - for Mozart, Piano Concerto No. 25 C major K. 467 (1997) - for Beethoven, Piano Concerto No. 3 c minor (2001

Piano solo
Four Dances for Nasreddin Hoca (1990)
Fantasietücke (1993)
Alla Turca - Jazz Fantasy after Mozart (1993)
Paganini Variations for Piano in the style of Modern Jazz (1995)
Three Jazz Pieces
Three Ballads (1997)
Black Earth (1997)
Beethoven Piano Sonatas (2005)
Haydn Piano Sonatas (2007)

Música de Câmara
Violin Sonata (1997

Música Experimental
Ten Pieces for Jazz Quartet - Fazil Say - Kudsi Ergüner (Nei)
Four Pieces for DJ and Piano - Fazil Say - DJ Mercan Dede (2003)

Para ouvir
http://www.youtube.com/watch?v=0_Whp1kWZ8Y

sábado, 16 de janeiro de 2010

SATIE, ÉRIC


Éric Alfred Leslie Satie, mais conhecido como Erik Satie (Honfleur, 17 de Maio de 1866 – Paris, 1 de Julho de 1925) foi um compositor e pianista francês. Relevante no cenário de vanguarda parisiense do começo do século XX, foi o precursor de movimentos artísticos como minimalismo, música repetitiva e teatro do absurdo.

Tornou-se popular entre os jovens compositores, que eram atraídos pelos títulos bem-humorados de suas peças, e exerceu grande influência nos seus amigos, os notáveis contemporâneos Debussy e Ravel, mudando assim o curso da história da música. Foi ainda inovador por ter criado o ragtime, estilo de pré-jazz, com as estruturas minimalistas que ele propôs.

Nascido no distrito de Pont-l'Evêque, em Honfleur, na região da Normandia, teve dois irmãos mais novos, Olga e Conrad. Sua mãe, Jane Leslie Aston, era escocesa e morreu quando ele tinha sete anos. Seu pai, Jules Alfred Satie, francês, foi morar em Paris e Erik foi criado pelo seu tio boémio Adrien Satie. Em Honfleur aprendeu piano com Gustave Vinot, discípulo de Niedermeyer e organista da igreja de Sainte-Catherine.

Mudou-se para a capital francesa em 1878 e com quatorze anos ingressou no Conservatório de Paris, onde foi depreciado pelos professores, sendo considerado medíocre, preguiçoso, imprestável e sem o menor senso de ridículo. Nos anos 1890, foi morar num pequeno quarto na Rue Cortot 6, em Montmartre. Tornou-se pianista no Chat Noir, onde se apresentou ao gerente como sendo "gymnopedista", e no Auberge du Clou, onde conheceu Debussy. O título Gymnopédie é tido como derivado do antigo festival grego Gymnopaedia, dedicado ao deus Apolo, onde jovens nus dançavam ao som da música de flauta e lira. No Chat Noir, aproximou-se do humorista Alphonse Allais, que o apelidou "Esotérik Satie"

A música de Satie foi na altura apreciada por poucos e desprezada pela maioria dos compositores e críticos musicais. Diversas fragilidades costumavam ser-lhe  apontadas, a mais importante das quais se referia à sua deficiente formação enquanto compositor e pianista. Dizia-se então que as suas miniaturas musicais com escalas pouco convencionais, harmonias estranhas e uma total ausência de virtuosismo instrumental eram apenas o reflexo de um compositor de fracos recursos técnicos.
Em 1891, influenciado pelo amigo Joseph-Aimé Paladan, ingressou na Ordem Rosacruz, uma instituição voltada para o esoterismo, e também escreveu algumas composições para as cerimônias rosacrucianas. Insatisfeito, mais tarde fundou a sua própria igreja, "L'Eglise Métropolitaine d'Art de Jésus Conducteur" ("A Igreja Metropolitana de Arte e Jesus como Guia"), da qual era o único membro, e excomungava todos que discordassem dele.

O seu único amor foi a vizinha pintora e modelo dos pintores Renoir e Degas, Suzanne Valadon. O romance, que durou só seis meses, começou em 14 de Janeiro de 1893 e Satie pediu-a em casamento logo no primeiro dia, mas ela acabou casando-se com outro. Em 1898 deixou Montmartre e  mudou-se para um modesto quarto na Rue Cauchy, 22, em Arcueil, subúrbio industrial de Paris, onde morou pelo resto de sua vida. Caminhava nove quilômetros todos os dias para ir tocar em Montmartre.

Satie foi um dos precursores do minimalismo, abolindo as estruturas complexas e sofisticadas, com absoluto despojamento e simplicidade da forma. O seu primeiro exemplo foi a peça Vexations (1893), formada por 32 compassos que se repetem 840 vezes.

Com quase quarenta anos, surpreendeu a todos quando resolveu voltar a estudar. Em 1905 ingressou na Schola Cantorum de Paris e estudou contraponto e orquestração com Vincent d'Indy e Albert Roussel. Havia abandonado por algum tempo a vida boémia a que se entregara com empenho — incluindo as sessões do Chat Noir, onde tocava todas as noites. Após três anos recebeu o diploma com a avaliação "très bien" (muito bom).

Acabou por se desinteressar das aulas e, após cerca de quinze anos sem compor, decidiu retomar a composição e regressar à vida noturna de Paris. Mas as suas peças continuaram a ser profundamente originais e discretamente subversivas, buscando inspiração num ambiente artístico estranho aos circuitos institucionais: os bares e cabarets que ele conhecia tão bem. A sua música passou a ganhar atenção a partir de 1911: Maurice Ravel chegou a relevar à Sociedade Internacional de Música algumas de suas obras.

Quatro anos depois, atraiu o interesse também de Jean Cocteau, o que proporcionou a produção de obras mais ambiciosas, como balés e uma cantata. Por exemplo, o balé Parade (1917) foi concebido para o Ballet Russes de Serguei Diaguilev. Satie compôs a música, inovadora e original, na qual incorporou sons de máquina de escrever, sirene e tiro de pistola, e que foi objeto de escândalo. Cocteau escreveu o argumento. Pablo Picasso cuidou do cenário e do vestuário: os dois foram grandes amigos, e Picasso disse inclusive que Satie foi uma das influências mais importantes em sua vida.
Nesse balé apareceu pela primeira vez o termo surrealismo, usado por Appolinaire sobre a obra, para descrever uma criação artística que explora o mundo dos sonhos e do subconsciente. A palavra "surrealismo" descreveu mais tarde todo um movimento artístico e literário que viria a surgir.

Sob encomenda da princesa de Polignac, escreveu, em 1918, Socrate, drama sinfónico para quatro sopranos e pequena orquestra, com textos de Platão traduzidos por Victor Cousin, de uma austeridade extrema. A sua obra-prima que marcou a sua mudança de estilo e género.

Satie foi mentor do grupo chamado Les Six, uma banda de vanguarda que reagiu contra a influência do romantismo e do impressionismo na música. Esse grupo era composto por Darius Milhaud, Arthur Honegger, Francis Poulenc, Georges Auric, Louis Durey e Germaine Tailleferre, e tinha a supervisão de Jean Cocteau. Batizado por certo jornalista no começo de 1920, o nome era uma alusão ao Grupo dos Cinco.

Em 1923, foi formada Escola de Arcueil, formada pelos discípulos de Satie (sob supervisão do próprio) Henri Pawl-Pleyel, Roger Desormière, Maxime Jacob e Henri Sauguet.

Após anos de bebedeira, morreu de cirrose em 1 de julho de 1925. No seu quarto acharam, atrás de seu velho piano, uma composição que acreditavam perdida, que ele tinha escrito uns 26 anos antes, chamada Jack-in-the-box.

Era um sujeito excêntrico e irreverente. Além de compor, Satie também gostava de escrever e fazer caricaturas, inclusive dele mesmo. Seus escritos autobiográficos, Mémoires d'um Amnésique, fizeram sucesso. Escreveu também escritos em forma de grafonola e Cahiers d'un Mammifère, um livro com poemas, canções e relatos que revelam seu estilo irónico.
Media 1,67 m. Era famoso por possuir doze ternos idênticos cinza de veludo e fazia coleção de guarda-chuvas e cachecóis. Detestava sol. Tinha a mania de comida branca: arroz, ovo, coco, peixe, nabo, queijo, entre outras.

Foi o inventor da música ambiente, que ele chamava de musique d'ameublement. A música sendo usada como uma mobília, para preencher o ambiente. Segundo ele, era uma música que fizesse parte dos ruídos naturais e os levasse em conta, sem se impor, que tomasse conta dos estranhos silêncios que ocasionalmente caíam sobre os convidados, e que neutralizasse os ruídos da rua. Mas a sua música não funcionava porque as pessoas insistiam em ficar quietas prestando atenção ao seu desempenho. Daí ele gritava nervoso: "Falem alguma coisa! Mexam-se! Não fiquem aí parados só escutando!". Na época, a sua idéia pareceu uma piada. Outra coisa interessante eram as instruções de interpretação que ele anotava nas suas partituras.

OBRAS
Para piano

Auto-retrato de Erik SatieTrois Gymnopédies (1888)
Trois Gnossiennes (1890)
Allegro (1884)
Fantaisie-valse (1885)
Valse-ballet (1885)
4 Ogives (1886)
3 Sarabandes (1887)
Première pensée Rose+Croix (1891)
Fete donnée par des Chevaliers Normands en l'honneur d'une jeune demoiselle (1892)
Danses gothiques (1893)
Modéré (1893)
Vexations (1893)
Deux Pièces froides (1897)
Poudre d'or (1901)
Trois Morceaux en forme de poire (1903) - escreveu quando foi acusado de compor músicas que não tinham nenhuma forma.
Le Piccadilly (1904) - um misto de vaudeville e jazz.
Passacaille (1906)
Prélude en tapisserie (1906)
Nouvelle pièces froides (1910)
En habit de cheval (1911)
Trois véritables préludes flasques (pour un chien) (1912)
4 préludes flasques (pour un chien) (1912)
Les Pantins dansent (1913)
Chapitres tournés en tous sens (1913)
Croquis et agaceries d'un gros bonhomme en bois (1913)
Embryons desséchés (1913) - tem duas partes: uma forte e rápida e outra lenta e melodiosa. Termina repetindo várias vezes o mesmo acorde.
Enfantillages pittoresques (1913)
Menus propos enfantins (1913)
Peccadilles importunes (1913)
Vieux sequins et vieilles cuirasses (1913)
Heures séculaires et instantanées (1914)
Les 3 valses du précieux dégouté (1914)
Sports et divertissements (1914)
Trois Valses distinguées du précieux dégoûté (1914)
Trois poèmes d'amour (1914)
Choses vues à droite et à gauche, sans lunettes (1914)
Avant-dernières pensées (1915)
Trois maladies (1916)
Sonatine bureaucratique (1917) - uma paródia bem-humorada de Clementi, escrita como uma sátira à onda neoclássica que começava a aparecer.
5 Nocturnes (1919)
Premier menuet (1920)
Reverie de l'enfance de Pantagruel (1920)
Ludions (5 mélodies) (1923)
 
Para ouvir
http://www.youtube.com/watch?v=Al5U1WJ48rM

SAMMARTINI, GIOVANNI


Giovanni Battista Sammartini (1700 ou 1701 - 15 Janeiro 1775) foi um compositor italiano, organista, mestre de coro e professor. Ele contou com Gluck entre seus alunos, e era muito considerado pelos compositores mais jovens, incluindo Johann Christian Bach. Também foi observado que muitas estilizações em composições de Joseph Haydn são semelhantes às de Sammartini, embora Haydn negasse qualquer influência desse tipo. Sammartini é especialmente associado com a formação da sinfonia de concerto através de ambos os turnos a partir de uma ópera curta-overture estilo e da introdução de uma nova seriedade e utilização de desenvolvimento temático que prefiguram Haydn e Mozart. Algumas de suas obras são descritas como Galant, um estilo associado com os ideais do Iluminismo, enquanto que "a impressão deixada pelos trabalhos existentes de Sammartini ... [é que] ele contribuiu grandemente para o desenvolvimento de um estilo clássico, que alcançou o seu momento de maior clareza e precisão quando a sua vida longa, activa se aproxima do seu fim".


Giovanni Battista Sammartini nasceu em Milão, filho de  um emigrante e oboísta francês, Alexis Saint-Martin e de Girolama Federici. Ele foi o sétimo de oito filhos. Recebeu instrução musical de seu pai e escreveu o seu primeiro trabalho em 1725, que foi um conjunto de obras vocais (hoje perdido). Pouco tempo depois, ele adquiriu a posição de maestro di cappella da Congregazione em 1728.


Sammartini rapidamente se tornou famoso como compositor da igreja e da fama obtida fora da Itália em 1730. Ao longo dos anos, juntou-se a muitas igrejas para trabalhar (8 ou mais na altura da sua morte) e escreveu música para ser executada em cerimónias de Estado e nas casas da nobreza. Embora ele nunca se tenha afastado muito de Milão, entrou em contato com muitos compositores notáveis, incluindo JC Bach, Mozart, Boccherini, Gluck e, o último dos quais se tornou seu aluno a partir de 1737 até 1741.


A morte de Sammartini, em 1775 foi inesperada. Embora fosse altamente considerado no seu tempo, a sua música foi rapidamente esquecida, A obra de Sammartini só foi reestudada a partir de 1913 pelos pesquisadores Fausto Torrefranca, Georges de Saint-Foix, e Gaetano Cesari. Ironicamente, a maioria  de suas obras sobreviventes foram recuperadas em edições  publicadas fora de Milão, sua cidade natal. 


Sammartini foi um compositor prolífico, e suas composições incluem 4 óperas, cerca de 70 sinfonias, dezenas de concertos e alguma da música de câmara mais antiga conhecida na história da música ocidental. Cerca de 450 trabalhos mais conhecidos foram compostos por Sammartini, apesar de uma grande quantidade das suas músicas tenha sido perdida especialmente música sacra e obras dramáticas. Algumas  também podem ter sido perdidas devido à publicação sob outros nomes, especialmente de seu irmão, Giuseppe. A sua primeira música foi para  uso litúrgico.


A música de Sammartini  é geralmente dividida em três períodos estilísticos: o período inicial (1724-1739), o que reflecte uma mistura de barroco e formas pré-clássico, o período médio (1740-1758), que sugere formulário de pré-clássico e o período final (1759-1774), que mostra as influências clássicas, incluindo Mozart. O período médio de Sammartinié considerado como o mais significativo e pioneiro, durante o qual as suas composições no estilo galante prefiguram a música clássica que estava para vir.

Para ouvir

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

SAMARAS, SPIRIDON-FILISKOS


Spiridon-Filiskos Samaras (Corfu, 17 November/29 novembro 1861  - Atenas, 25 March/17 abril 1917 ) foi um compositor grego particularmente admirado pelas suas óperas. As suas composições foram elogiadas em todo o mundo durante a sua vida e ele é provavelmente o compositor mais elogiado internacionalmente grego antes de Dimitri Mitropoulos.


Na juventude, Samaras estudou com Spyridon Xyndas, em Corfu. De 1875-1882, estudou no Conservatório de Atenas com Federico Bolognini, Mascheroni Angelo e Stancampiano Enrico. A sua primeira ópera Torpillae (agora perdida) estreou em Atenas, em 1879. Ele foi para Paris em 1882 para estudar no Conservatório de Paris e  tornou-se o favorito de Jules Massenet. Os seus outros professores foram Léo Delibes, Théodore Dubois, e Charles Gounod. Ele trabalhou com sucesso como compositor em Paris por três anos e depois emigrou para a Itália em 1885.


Samaras rapidamente se tornou uma figura importante na cena da ópera na Itália. A sua ópera Flora mirabilis estreia em Milão em 1886 e em 1888 Medgé foi encenada com êxito no Teatro Costanzi em Roma, com a francesa  estrela de ópera  Emma Calvé no papel principal. Samaras tornou-se associado de Edoardo Sonzogno, um editor milanês. Sonzogno fundou o Teatro Lirico Internazionale e escolheu La Martire  de Samaras  para a abertura do teatro, em 22 de Setembro de 1894. A ópera tinha já estreado, nesse ano, em Nápoles, e é baseada num libreto de Luigi Illica com muitos elementos naturalistas, o que deu espaço à  personalidade musical de Samaras.


Os trabalhos de Samaras beneficiam ampla distribuição com óperas encenadas em Paris, Monte Carlo, Colônia, Berlim, Viena, Malta, Bucareste, Constantinopla, Esmirna, Alexandria, Cairo, e, claro, Grécia e Itália. Ele escreveu um total de quinze obras teatrais, das quais as últimas três foram todas baseadas em textos de Paul Milliet; Storia d'amore ou La biondinetta (1903), Mademoiselle de Belle-Isle (1905) e Rhea (1908). Mesmo enquanto na Itália, Samaras gozava o estatuto de celebridade na Grécia e foi idolatrado pela imprensa.  Voltou para a Grécia em 1911, sob a concepção de que seria nomeado director do Conservatório de Atenas. A  sua decisão de regressar à Grécia, num momento, durante o qual a guerra dos Balcãs e da Primeira Guerra Mundial estava a iniciar um dos períodos mais turbulentos da história moderna da Grécia, revelou-se prudente. Apesar da sua popularidade, Samaras não foi aceite num lugar no Conservatório de Atenas, houve uma grande pressão política contra a contratação de alguém que tinha passado tanto tempo fora da Grécia. O seu trabalho também foi condenado pelo polémico e da ambição dos chamados "compositores da Escola Nacional". Ele, portanto, apoiou-se na composição de operetas de libretos que serviram de propaganda nacional em vez de continuar na sua habitual criativa vaidade . A sua última ópera Tigra, embora iniciada durante este tempo e com alguns dos seus melhores trabalhos, nunca foi terminada.

Samaras também é conhecido por compor o hino olímpico, as palavras foram um contributo de Kostis Palamas. O hino foi apresentado pela primeira vez durante a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Verão de 1896, os primeiros Jogos Olímpicos modernos. Foi declarado o hino oficial do movimento olímpico pelo Comité Olímpico Internacional em 1958 e tem sido usado em cada cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos desde a Olimpíada de 1964.

OBRAS
Trabalhos de palco completos
Original poster for Flora mirabilisTorpillae, incidental music for a play, words by Gavziilidis and K. Triandafyllos, Athens, 1879.
Olas, opera in 4 Acts, libretto by Fravassili, now lost, 1882.
Flora mirabilis, opera in 3 Acts, libretto by Ferdinando Fontana, Teatro alla Scala, Milan, 1886.
Medge, opera in 4 Acts, libretto by Ferdinando Fontana, Teatro Constanzi, Rome, 1888.
Messidor, opera after Alexandre Dumas' novel Le Chevalier de Maison-Rouge, written before 1891, now lost.
Lionella, opera in 3 Acts, libretto by Fontana, lost except for Hungarian Rhapsody, orch, Teatro alla Scala, Milan, 4 April 1891.
La martire, opera in 3 Acts, libretto by Luigi Illica, Teatro Lirico Internazionale, Milan, 1894.
La furia domata, opera in 3 Acts, libretto by E. A. Butti and G. Macchi after Shakespeare's The Taming of the Shrew, Teatro Lirico Internazionale, Milan, 1895.
Storia d’amore o La biondinetta, opera in 3 Acts, libretto by Paul Milliet, Teatro Lirico Internazionale, Milan, 1903.
Mademoiselle de Belle-Isle, opera in 4 Acts, libretto by Paul Milliet, Teatro Politeama, Genoa, 1905.
Rhea, opera in 3 Acts, libretto by Paul Milliet, Teatro Verdi, Florence, 1908.
Tigra, opera in 3 Acts unfinished, libretto R. Simoni, 1911, only Act 1 exists.
Pólemos en polémo, operetta in 3 Acts, libretto by G. Tsokopoulos and I. Delikaterinis, Athens, 10 April 1914.
I pringípissa tis Sassónos, operetta in 3 Acts, libretto by N.I. Laskaris and P. Dimitrakopoulos, Athens, 21 Jan 1915.
I Kritikopoúla, operetta in 3 Acts, libretto by Laskaris and Dimitrakopoulos, Athens, 30 March 1916.

Selected piano music
Scènes Orientales, Quatre Suites caractéristiques, 1882 Paris
Bohémienne, 1888

Para ouvir
http://www.youtube.com/watch?v=kh1GZbcWCpg

SALIERI, ANTÓNIO


Antonio Salieri (Legnago, 18 de agosto de 1750 – Viena, 7 de maio de 1825), compositor  italiano mestro da República de Veneza. Como o Kapellmeister imperial austríaco 1788-1824, ele foi um dos músicos mais importantes e famosas do seu tempo. A sua música é raramente ouvida hoje fora de estudo formal.

Foi Compositor Oficial da Corte de José II, Arquiduque da Áustria. A sua música foi bastante conhecida na sua época. As lendas a respeito do seu relacionamento com Wolfgang Amadeus Mozart, com quem conviveu em Viena até a morte deste, foram criadas pela peça de teatro de Peter Shaffer, adaptada para o cinema, sob direcção de Milos Forman, com o título Amadeus. O filme, vencedor de oito Óscares, em 1984, retrata um Salieri invejoso do génio de Mozart e medíocre musicalmente. Tal imagem é resultante da liberdade ficcional dos realizadores, não correspondendo à figura histórica do compositor.

Criado no seio de uma família próspera de comerciantes, Salieri estudou violino e espineta com seu irmão Francesco, que era aluno de Giuseppe Tartini. Após a morte prematura de seus pais, mudou-se para Pádua, e a seguir para Veneza, onde estudou com Giovanni Battista Pescetti. Nesta cidade conheceu Florian Leopold Gassmann em 1766, que o convidou a servir na corte de Viena, onde o instruiu em composição baseada na obra de Johann Joseph Fux, Gradus ad Parnassum. Permaneceu em Viena até ao fim da sua vida. Em 1774, após a morte de Gassmann, Salieri foi nomeado Compositor da Corte pelo Imperador José II. Conheceu a sua esposa, Therese von Helfersdorfer, em 1774. Desta união nasceriam oito filhos. Salieri tornou-se Maestro da Orquestra Imperial (Imperiales Königliches Kapellmeister) em 1788, cargo que manteve até 1824. Foi presidente do "Tonkünstler-Societät" (sociedade dos artistas musicais) de 1788 a 1795, vice-presidente após 1795, e responsável pelos seus concertos até 1818.

Alcançou uma elevada posição social, sendo frequentemente associado com outros celebrizados compositores, como Joseph Haydn ou Louis Spohr. Desempenhou um papel importante na música clássica do século XIX e ensinou compositores famosos como Ludwig Van Beethoven, Carl Czerny, Johann Nepomuk Hummel, Franz Liszt, Giacomo Meyerbeer, Ignaz Moscheles, Franz Schubert e Franz Xaver Süssmayr. Ensinou também ao filho mais novo de Mozart, Franz Xaver.

Durante o tempo em Viena, Salieri adquiriu grande prestígio como compositor e maestro, em particular de ópera, mas também de câmara e música sacra. O maior sucesso das suas mais de quarenta óperas incluídas deram-lhe notariedade: Europa Riconosciuta (1778), Armida (1771), La scuola de 'gelosi (1778), Der Rauchfangkehrer (1781), Danaïdes Les (1784), que foi apresentada pela primeira vez como uma obra de Gluck, Tarare (1787), Axur, Re d'Ormus (1788), Palmira, Regina di Persia (1795) e Falstaff (1799). Escreveu relativamente pouco de música instrumental, porém a sua produção limitada inclui dois concertos para piano e um concerto para órgão escrito em 1773, um concerto para flauta, oboé e orquestra (1774), e um conjunto de vinte e seis variações sobre La Follia di Spagna ( 1815).

Na década de 1780, enquanto Mozart viveu e trabalhou em Viena, ele e seu pai Leopold escreveram nas suas cartas que várias "cabalas" de italianos liderados por Salieri foram activamente colocando obstáculos no caminho da obtenção de Mozart de determinados postos ou teste das suas óperas. Há muita evidência de Salieri ter se comprometido em tais actos de conspiração. No início do século 19, o aumento do nacionalismo alemão levou a uma tendência para transfigurar o caráter austríaco de Mozart, enquanto a Salieri veneziano foi dado o papel de seu antagonista.

Salieri foi enterrado no Matzleinsdorfer Friedhof (os seus restos mortais foram transferidos mais tarde para o Zentralfriedhof) em Viena, Áustria. No seu serviço fúnebre, o seu próprio Requiem em Dó menor - composto em 1804 - foi executado pela primeira vez.


OUTRAS OBRAS
Armida
Cantata 'Wie eine Purpurblume'
Les Danaïdes
Tarare
La Tempesta di Mare
6 Variations on "Mio caro Adona"
 
Para ouvir
http://www.youtube.com/watch?v=EzYitR4TFAI&feature=related

SAINT-SAËNS, CAMILLE


Camille Saint-Saëns (Paris, 9 de outubro de 1835 – Argel, 16 de dezembro de 1921) foi um compositor, pianista e organista francês.


Seu pai morreu quando ele tinha apenas quatro meses de idade, e Camille foi criado pela mãe e por uma tia.
Como havia um piano na casa, aos dois anos e meio de idade o garoto já gostava de brincar com as teclas, e em pouquíssimo tempo já tocava pequenas melodias sem ter sido ensinado por ninguém. Sua mãe e sua tia  deram-lhe as primeiras lições de teoria musical.
Aos 7 anos de idade já escrevia pequenas peças. Recebeu lições de piano de Camille Stamaty e Alexandre Boëly, e harmonia de Pierre Maleden, e aos 10 anos já conseguia tocar algumas das peças mais difíceis de Mozart e Beethoven.

Apresentou-se em público pela primeira vez na Sala Pleyel de Paris a 6 de maio de 1846, sem ter completado ainda 11 anos de idade. Aos 13, entrou para o Conservatório de Paris, onde estudou órgão com Benoist, contraponto e fuga com Jacques Fromental Halévy.

Para auxiliar a família, tocava órgão na Igreja de St. Merry, e em 1857 obteve o cargo de organista na Igreja da Madeleine, cargo esse que ocuparia por 20 anos. Aos 25 anos já era famoso na Europa inteira como pianista e compositor, tendo escrito três sinfonias, um concerto para violino, um quinteto, peças de música sacra.
Travou amizade com Liszt.


Saint-Saëns conhecia a música profundamente, familiarizado com as obras dos grandes compositores europeus antigos e modernos. Possuia uma vasta e sólida cultura em filosofia, ciência e literatura. Em astronomia chegou a alcançar verdadeira autoridade. Escreveu um livro de filosofia, Problèmes et Mystères, versos, uma comédia, e escreveu ele mesmo os libretos de várias das suas óperas.


Saint-Saëns gostava muito de viajar. Movido por impulsos súbitos, fazia excursões repentinas às partes mais distantes do planeta, dava-lhe prazer conhecer lugares exóticos.
Visitou a Espanha, as Canárias, o Ceilão, a Indochina, o Egito, esteve várias vezes na América. Deu concertos no Rio de Janeiro e em São Paulo em 1899, com a colaboração de Luigi Chiafarelli, uma figura de destaque no ambiente musical brasileiro. Visitou também San Francisco na Califórnia.
A morte veio colhe-lo numa cama de hotel em Argel, na Argélia, no dia 16 de dezembro de 1921. Acredito que agora chegou mesmo o meu fim, murmurou, e fechou os olhos para sempre. Já fazia tempo que este homem feliz desejava a morte secretamente.


A obra de Camille Saint-Saëns é imensa: sinfonias, concertos para piano e violino, peças para órgão, música vocal e instrumental, sacra e profana. Entre as peças mais conhecidas deste compositor, podemos citar: o Concerto para violino no. 3 em si menor (op. 61), a Danse Macabre, Introdução e Rondò Capriccioso para violino e orquestra (uma peça extremamente brilhante para o violino), o Carnaval dos Animais.
Saint-Saëns compôs várias óperas, mas somente uma delas é tida pela posteridade como uma obra prima imortal: Samson et Dalila (Sansão e Dalila).
Uma amostra da riqueza de suas composições pode ser admirada nas telas de cinema: no primeiro dos filmes do porquinho Babe, o 4º e último movimento da Sinfonia número 3 "Órgào" serve de fundo para a cena do fazendeiro, que canta uma versão inglesa para a belíssima melodia, chamada "If I Had Words".


OBRAS

Africa, Fantasy for Piano and Orchestra, Op.89
Album, Op.72
Allegro Appassionato, Op.43
Allegro Appassionato, Op.70Allegro d'après le 3e Concerto Op.29
Allegro de Concert
Andromaque
Antigone
Ascanio
Aux aviateurs, Op.134
Ave Maria in A (1860)
Ave Maria in A (1865)
Ave Maria, Op.145
Ave Verum in D
Ave Verum in E-flat (ca.1860)
6 Bagatelles, Op.3
Les Barbares
Barcarolle, Op.108
Bénédiction Nuptiale, Op.9
Berceuse, Op.38
Berceuse, Op.105
Cadenza for Beethoven's Violin Concerto
Caprice Andalous, Op.122
Caprice Arabe, Op.96
Caprice Héroïque, Op.106
Caprice sur des airs Danois et Russes, Op.79
Caprice sur les airs de ballet d'Alceste de Gluck
Le Carnaval des Animaux
Cavatine, Op.144
Cello Concerto No.1, Op.33
Cello Concerto No.2, Op.119
Cello Sonata No.1, Op.32
Cello Sonata No.2, Op.123
La Cendre rouge, Op.146
Chant Saphique, Op.91
2 Choeurs, Op.68
2 Choeurs, Op.141
La Cigale et la Fourmi
Clair de lune
La cloche
Les Cloches du soir, Op.85
La Coccinelle
Cœli enarrant, Op.42
Cyprès et Lauriers, Op.156
Danse Macabre, Op.40
Déjanire
Le Déluge, Op.45
Deus Abraham
Duettino, Op.11
Duo for 2 Pianos, Op.8bis
6 Duos, Op.8
Élégie, Op.143
Élégie, Op.160
Élévation ou Communion, Op.13
Étienne Marcel
6 Études pour la main gauche seule, Op.135
6 Études, Op.52
6 Études, Op.111
Fantaisie for Harp, Op.
Fantaisie in E-flat
Fantaisie, Op.124
Fantasie No.3, Op.157
Fantasie, Op.101
Le feu céleste, Op.115
Feuillet d'Album, Op.81
Feuillet d'Album, Op.169
La Foi, Op.130
Frédégonde
6 Fugues, Op.161
Gavotte, Op.23
La gloire de Corneille, Op.126
La gloire, Op.131
Havanaise, Op.83
Hélène
Henry VIII
Hymne à Victor Hugo, Op.69
7 Improvisations, Op.150
Introduction et Rondo Capriccioso, Op.28
Javotte
La Jeunesse d'Hercule, Op.50
Jota Aragonese, Op.64
L’Ancêtre
L’Assassinat du duc de Guise, Op.128
Laudate Dominum, Op.149
Litanies de la Sainte Vierge
Lola, Op.116
La Lyre et la Harpe, Op.57
Marche Héroïque, Op.34
Marche Interalliée, Op.155
Marche Religieuse, Op.107
Marche du Couronnement, Op.117
Mass, Op.4
Le matin, Op.129
3 Mazurkas, Opp. 21, 24, 66
Méditation d'après la 6ème Bagatelle Op.3
Mélodies Persanes, Op.26
Menuet et Valse, Op.56
Morceau de Concert, Op.62
Morceau de Concert, Op.94
Morceau de Concert, Op.154
La Mort de Thaïs (Concert Paraphrase)
La Muse et le Poète, Op.132
Les Noces de Prométhée, Op.19
Nuit persane, Op.26bis
La nuit, Op.114
Odelette, for Flute and Orchestra, Op.162
Offertoire pour la Toussaint
Oratorio de Noël, Op.12
Orient et Occident, Op.25
Ouverture d'un Opéra-Cómica inacabada
Ouverture de fête, Op.133
Panis angelicus
Paraphrase sur Mandolinata de Paladilhe
Parysatis
Pas redoublé, Op.86
Phaéton, Op.39
Phryné
Piano Concerto No.1, Op.17
Piano Concerto No.2, Op.22
Piano Concerto No.3, Op.29
Piano Concerto No.4, Op.44
Piano Concerto No.5, Op.103
Piano Quartet, Op.41
Piano Quintet, Op.14
Piano Trio No.1, Op.18
Piano Trio No.2, Op.92
5 poèmes de Ronsard
Polonaise, Op.77
Praise Ye the Lord, Op.127
3 Preludes and Fugues, Op.99
3 Preludes and Fugues, Op.109
Prière, Op.158
La Princesse jaune, Op.30
Prologue
Proserpine
Quam dilecta, Op.148
Requiem, Op.54
Rhapsodie d'Auvergne, Op.73
3 Rhapsodies, Op.7
Romance sans paroles
Romance, Op.27
Romance, Op.36
Romance, Op.37
Romance, Op.48
Romance, Op.51
Romance, Op.67
Le Rouet d'Omphale, Op.31
Saltarelle, Op.74
Samson et Dalila, Op.47
Sarabande et Rigaudon, Op.93
Scherzo, Op.87
Septuor, Op.65
Sérénade d'hiver
Sérénade, Op.15
Les soldats de Gédéon, Op.46
Sonata for Bassoon and Piano, Op.168
Sonata for Clarinet and Piano, Op.167
Sonata for Oboe and Piano, Op.166
Souvenir d'Ismaïlia, Op.100
Souvenir d'Italie, Op.80
String Quartet No.1, Op.112
String Quartet No.2, Op.153
Suite Algérienne, Op.60
Suite for Cello and Piano, Op.16
Suite, Op.49
Suite, Op.90
Symphony No.1, Op.2
Symphony No.2, Op.55
Symphony No.3, Op.78
Tarantelle, Op.6
La Terre promise, Op.140
Thème Varié, Op.97
Le Timbre d'Argent
3 Transcriptions from Beethoven's String Quartets
Transcriptions of Bach's Works
Triptyque, Op.136
Tu es Petrus, Op.147
Une Nuit à Lisbonne, Op.63
Valse Canariote, Op.88
Valse Gaie, Op.139
Valse Langoureuse, Op.120
Valse Mignonne, Op.104
Valse Nonchalante, Op.110
Variations on a Theme of Beethoven, Op.35
Violin Concerto No.1, Op.20
Violin Concerto No.2, Op.58
Violin Concerto No.3, Op.61
Violin Sonata No.1, Op.75
Violin Sonata No.2, Op.102
Wedding Cake, Op.76

Para ouvir
http://www.youtube.com/watch?v=XD059jkt6bs

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